Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 23/05/2020

A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno como a única fonte alimentar do bebê até os 6 meses, complementando o alimento com outras fontes até os dois anos de idade. A amamentação é um momento imprescindível para a saúde e desenvolvimento da criança, por ser um alimento completo que supre todas as necessidades vitais. No entanto, essa fase também apresenta desafios como problemas com dores nas mamas, e receio de amamentar em público. O que compromete a garantia do bem-estar de mãe e filho nesse momento tão importante.

A priori, é válido destacar um dos principais empecilhos enfrentados no período de lactação, as dores mamárias. Na série, ’’ Amamentação sem Culpa’’, dirigida pelo médico brasileiro, Dráuzio Varella, uma mãe relata que chorava durante a amamentação, em virtude das dores insuportáveis que sentia nas mamas, durante o aleitamento, sendo esse impasse, resolvido apenas com auxílio médico. Tal problema influencia muitas mães a optarem por métodos alternativos, como fórmulas lácteas, que mesmo com valor nutricional semelhante ao alimento materno, não suprem plenamente necessidades fisiológicas, como a oferta de anticorpos. Logo, a falta de orientação e tratamento necessário podem por em risco a saúde do bebê.

A posteriori, ressalta-se, também, a questão do preconceito enfrentado por muitas lactantes ao precisarem amamentar em locais públicos. Em uma matéria publicada pelo site do jornal Estadão,fora abordada a pauta da dificuldade que muitas mães enfrentam quando precisam sair de casa com lactentes, nisso, foi apresentada a situação de uma mãe que foi orientada a sair de um restaurante, para amamentar seu filho outro local. Um exemplo que reflete que ainda há muitos paradigmas que associam a exposição da mama para amamentação como algo inapropriado e vulgar. O que deixa explícita a necessidade de solucionar esse problema.

Portanto, faz-se mister a intervenção do Estado na resolução desta problemática. Inicialmente, cabe ao Ministério da Saúde, a ampliação do acesso à orientações fundamentais para o pós-parto, com o oferecimento de cartilhas sobre os devidos cuidados para um aleitamento seguro e saudável, oferecendo também visitas de profissionais de saúde, de modo que seja dado o suporte suficiente para a garantia de uma amamentação, como a recomendada pela Organização Mundial de Saúde. Ademais, é dever do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, assegurar o direito das lactantes em amamentar quando sentirem necessidade em quaisquer locais, por intermédio de leis e campanhas publicitárias que assegurem essa necessidade e conscientizem a população sobre a esta problemática.