Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 23/08/2020
No filme “Simplesmente Acontece”, a personagem principal encara uma gravidez na adolescência e passa noites acordada sem saber como amamentar sua filha adequadamente. Fora da ficção, no Brasil hodierno, existem diversos desafios para um aleitamento materno eficaz, sobretudo o despreparo das lactantes e o preconceito contra a lactação pública.
A princípio, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a amamentação exclusiva até os 6 meses de idade do bebê é essencial para seu desenvolvimento saudável. Em contrapartida, o despreparo das mães, muitas vezes, ocasiona o abandono da lactação antes do período recomendado, assim apenas 36% das crianças são nutridas nos parâmetros da OMS no Brasil. Desse modo, pode-se inferir um problema na estrutura dos cuidados pediátricos, já que as lactantes não praticam a nutrição correta por não estarem instruídas corretamente.
Outrossim, segundo a OMS, 47% das mulheres que amamentaram publicamente relatam ter sofrido preconceito. Nesse sentido, com o crescimento de mães no mercado de trabalho o preconceito representa um impasse para o aleitamento e a vida profissional materna, demostrando descaso com a importância da lactação, a qual deveria ser resguardado pela sociedade e Estado. Dessa forma, a Teoria do Contrato Social, de Rousseau, aplica-se devido uma falha estatal em preservar os direitos fundamentais do ser humano, como a alimentação adequada, exigindo-se mudanças eficazes nesse quadro.
Portando, é mister que o Estado, por intermédio do Ministério da Saúde, crie propagandas publicitárias nas mídias digitais que informem os malefícios da falta de amamentação, além de disponibilizar conteúdo informativo de auxílio no preparo das mulheres recém-lactantes, com o fito de orientar as mães de forma correta. Concomitantemente, o Ministério da Justiça, deve orientar delegacias, possibilitando denúncias de rechaço à lactação pública, com o fito de garantir o aleitamento e evitar a prática de preconceito, destarte impedindo a reiteração de casos como o do filme “Simplesmente Acontece”.