Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 23/06/2020
O preponderante sistema patriarcal de organização estrutural no Brasil é o precursor de variados comportamentos machistas na sociedade nacional. Tal configuração é notável nas lamentáveis práticas contra a amamentação em público - tais como violências verbais, físicas e psicológicas. Nessa conjuntura, é perceptível a insegurança materna para a alimentação dos filhos em “espaços públicos”, “fruto” da característica sócio-histórica citada e da padronização de ações do mundo “pós-moderno” - o que põe em risco a saúde dos recém-nascidos. Assim, é imprescindível o combate a essas agressões - danosas ao desenvolvimento dos bebês.
Em primeiro lugar, é necessário destacar o papel da histórica submissão feminina aos homens na disseminação das práticas contra o aleitamento em público. Nesse viés, é notório que tal aspecto, mantido secularmente, consolidou o ideário de superioridade masculina em relação às mulheres. Com isso, criou-se, na sociedade brasileira, imaginários machistas de objetificação dos corpos fêmeos, os quais foram - veementemente - sensualizados. Desse modo, as organizações sociais passaram a discriminar a “exibição” das “partes íntimas” - como os seios das progenitoras - o que culminou no contexto de violência contra a amamentação fora de ambientes fechados, na qual é inevitável o “desvestimento” das mamas.
Além disso, é importante ressaltar a “padronização” dos comportamentos na sociedade hodierna como contribuinte para o fenômeno descrito. Nesse sentido, segundo Walter Benjamin, sociólogo da Escola de Frankfurt, é característica do mundo"pós-moderno" a reprodutibilidade de gostos e de condutas, o que reflete na não aceitação de práticas deslocadas dos valores dominantes. Nessa percepção, é visível que tal processo afeta a saúde fisiológica da prole, a qual, ao não ser corretamente alimentada, sofre problemas nutricionais - falta de vitaminas, sais minerais e proteínas - consequentes deficiências imunológicas. Dessa maneira, evidencia-se o caráter “malévolo” desses atos e a relevância do combate às limitações para a amamentação.
Portanto, a sociedade patriarcal e padronizada é precursora de problemas no aleitamento em espaços públicos, os quais convergem em riscos de saúde e precisam ser combatidos. Por isso, faz-se fundamental a atuação do Ministério da Educação, junto à instituição familiar, por meio da instauração de programas socioeducativos nas escolas e no ambiente doméstico. Isso acontecerá com rodas de conversa mensais, com participação ativa dos jovens - discussões, exposições, etc. - acerca da importância da amamentação e do respeito às necessidades maternas. Dessa forma, a sociedade alcançará a segurança no aleitamento e a asseguração da integridade dos recém-nascidos.