Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 23/06/2020
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro- assegura o desenvolvimento nacional como principal objetivo da República. Todavia, contrariando tal garantia, observa-se que substancial parcela da população não experimenta esse direito constitucional na prática, dado que, o aleitamento materno em questão é um problema pertinente na realidade brasileira. Diante desse perspectiva, há de se analisar como a omissão midiática, além do preconceito inerente a sociedade, influenciam na problemática em questão.
Em primeiro plano, torna-se evidente destacar que a indiferença da mídia inviabiliza a desmistificação do aleitamento materno no Brasil. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser deturpado em mecanismo de opressão. Seguindo a perspectiva supracitada, cerca de 5 em cada 20 recém nascidos não são amamentados nas primeiras horas de vida, conforme o senso divulgado pelo IBGE no ano de 2017. Logo, é notório que a mídia, ao invés de promover e incentivar debates que elegem o nível de informação da população, contribuem para a perpetuação do quadro atual.
Ademais, outro ponto crucial na problemática é o preconceito instaurado na sociedade brasileira. Sob essa óptica, o imperativo categórico de Kant, preconiza que o indivíduo deve agir apenas segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. Contrariamente, no que concerne à questão do aleitamento materno, o preconceito é um dos principais propulsores, visto que, os olhares de estranhamento e as críticas que as mães que amamentam em público recebem fomentam a consolidação do problema.
Portanto, evidencia-se a necessidade de reverter o cenário atual. Em suma, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente ao Governo Federal, desenvolver campanhas publicitárias, por meio de entrevistas com as vítimas do problema, assim como especialistas no assunto. Assim, campanhas devem ser divulgadas pela mídia, e as palestras web conferenciadas nas redes sociais dos Ministérios, com o objetivo de trazer maior lucidez sobre o tema e atingir um público maior. Só assim, as prescrições constitucionais não serão apenas teóricas, mas se tornarão realidade na sociedade brasileira.