Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 23/07/2020

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filho e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele compreendesse acertado seus julgamentos: a atitude de muitos brasileiros diante a questão do aleitamento materno no Brasil, é uma das faces mais perversas de uma sociedade em progresso. Com isso, surge a problemática do baixo índice no percentual de crianças amamentadas exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade, que permanece intrinsecamente associado a realidade do país, seja pela a exposição e o preconceito que as mães sofre ao amamentarem em público, seja pela falta de informações sobre a importância e os benefícios do leite materno.

É evidente que diversas mães não amamentam filhos em ambientes públicos, em virtude do preconceito que sofrem. As lactantes evitam essa exposição, preferindo muitas vezes em nutrir o filho com outros tipos de alimentos, além disso a falta de punição com os indivíduos que cometem essa agressão é outro fator preocupante. Conforme Aristóteles, “a base da sociedade é a justiça”, que deve ser utilizada a fim de que o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De forma semelhável, é possível identificar que, no Brasil, a amamentação em público rompe essa analogia.

Ademais, outra questão a evidenciar é a falta de conhecimento das mães em relação aos benefícios do aleitamento materno. Vários motivos, como sucção inadequada, dor, e amamentação com frequência, são os maiores desafios que as mães enfrentam, preferindo uma alimentação complementar, ao invés do leito materno como único alimento. Assim, é essencial promover uma reconfiguração na amamentação em questão, para capacitar indivíduos cônscios da importância do leite materno.

Logo, medidas estratégicas são fundamentais para modificar esse cenário. Para que isso ocorra, o ministério da saúde em comunhão com as mídias digitais, devem desenvolver propagandas para explicar a importância do leite materno na vida da criança, e esclarecer que os preconceituosos podem sofrer punições, também devem capacitar os profissionais de saúde para que possam ajudar e ensinar as mães a maneira correta da amamentação. Tais medidas necessitam ser efetivadas em todos as maternidades municipais e expostas em todas as plataformas digitais, com finalidade de trazer mais lucidez sobre o aleitamento materno e atingir um público maior. Em síntese, ressalta-se a relevância de resolver a problemática no momento atual, pois, como defendeu Martin Luther King: “Toda hora é hora de fazer o que é certo”.