Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 10/08/2020
A Constituição Brasileira de 1988 assegura à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde e à alimentação. Entretanto, no que tange a questão do aleitamento materno no Brasil, percebe-se aspectos distorcidos do qual garante o regimento, — visto que muitos bebês durante os 6 primeiros meses de vida não consomem o leite materno, — criando assim, uma grande problemática em torno da qualidade de vida infantil. Nessa esteira, a falta de instrução dada às mulheres durante esses períodos, além da persistência do preconceito da amamentação em público, são fatores que dificultam a resolução dessa iniquidade no país.
Primeiramente, é preciso salientar como uma causa latente do problema, a carência de ensinos para as mães, sobre o alactamento. Sendo assim, no livro “Pedagogia do Oprimido” de Paulo Freire, o educador brasileiro afirma que ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo. No entanto, o que verifica na realidade brasileira atual, é a falta de uma educação para as mulheres durante a maternidade, — uma vez que segundo dados da Organização Mundial da Saúde, apenas 39% dos bebês brasileiros de até 5 meses são alimentados só com leite materno, — fator esse que pode contribuir para uma má qualidade de vida dessas crianças, dado que o leite materno possibilita um desenvolvimento mais saudável e seguro.
Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a descriminação do aleitamento em público. De acordo com uma pesquisa global realizada pela Lansinoh Laboratórios, aproximadamente 47% das brasileiras relataram que já sofreram preconceito por amamentar publicamente. Assim, apesar da amamentação ser um ato natural, diversas mães são discriminadas por essa ação, sendo aconselhadas ou obrigadas a buscar locais mais reservados, como banheiros, por exemplo. Destarte, tal fator coopera para o abandono do leite materno, o trocando pelas formulas infantis, que por sua vez não conseguem ser tão eficientes e seguras como o amamentamento.
Portanto, é nítido que a questão do aleitamento materno brasileiro ainda possui gargalos, como a careza de ensinamentos e a antipatia da amamentação em locais públicos, sendo necessária uma intervenção na problemática. Logo, é de extrema importância que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação promova atendimento às mulheres após o nascimento de seus bebês, instruindo a importância da amamentação e como ela deve ocorrer sem atribulações. Ademais, é fundamental que esses ministérios providenciem também, palestras à população com a presença de profissionais da área, de maneira a conscientizar a sociedade em respeito ao ato de amamentar publicamente. Dessarte, talvez assim, será assegurado um desenvolvimento infantil saudável como garante a Constituição.