Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 04/08/2020

O 9º artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente expõe que é dever do governo, das instituições e dos empregadores garantir condições propícias ao aleitamento materno. Todavia essa legislação não é respeitada em virtude do preconceito social a essa prática em público e pela desinformação de mães que substituem o leite natural por uma fórmula, panorama que dificulta a amamentação no Brasil.

Concernente à temática da discriminação que mães são vítimas ao alimentar o bebê, é dificultada a naturalização dessa realidade. Essa premissa relaciona-se à Pesquisa Global Lansinoh do Aleitamento Materno, realizada em 2017, no qual 40% das mães entrevistadas disse ter sido criticada por amamentar em público, isto é, uma porcentagem significativa de genitoras são constrangidas por alimentar o filho, fator que gera um desestímulo dessa atividade tão essencial para a criança. Nesse sentido, a privação de um direito do petiz por convenções morais deve ser combatida, a partir da conscientização social acerca da relevância da amamentação nos primeiros meses de vida e, dessa maneira, uma aceitação do aleitamento em locais públicos.

Ademais, a carência de informações de mães quanto os benefícios do leite materno reduzem o período do bebê em contato com essa forma de nutrição. Essa assertiva é baseada no discurso da coordenadora das Ações de Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, Fernanda Monteiro, ao expor que por meio do leite, a mãe passa ao bebê vários anticorpos que são extremamente importantes para a saúde da criança, isto é, além da contribuição calórica, a imunização inicial do bebê é garantida pela amamentação. Contudo, fatores como fissuras no seio, lento ganho de peso, entre outros, promovem uma substituição do leite da mãe por um similar, o que é prejudicial ao desenvolvimento do menor, e desse modo, a orientação da genitora é uma alternativa viável para reduzir essa modificação nutricional.

Portanto, é imprescindível a adoção de ações que favoreçam a prática da amamentação na sociedade brasileira. Para tanto, o Ministério da Educação deve desenvolver nas escolas uma consciência do direito de aleitamento pela mãe, mediante debates em sala de aula por matérias sociológicas, com o intuito de formar cidadãos alheios a uma conduta discriminatória. Outrossim, as Secretarias de Saúde estaduais devem, aliado ao meio publicitário, em postos de saúde e hospitais, apresentar os benefícios advindos do leite materno para o petiz, por intermédio de cartilhas explicativas e anúncios, a fim de que essa alimentação seja estimulada. Logo, de acordo com a legislação, a amamentação será, gradualmente, difundida no Brasil.