Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 22/08/2020

A campanha “Agosto dourado” – dedicada ao incentivo à amamentação - teve início no Brasil, em 2017, devido a existência de impasses que dificultavam esse processo. Anos após, porém, ainda se observa a presença de grandes entraves, como a falta de conhecimento da importância dessa prática e o tabu do aleitamento materno em público. Dessa forma, torna-se imperial a adoção de medidas que mitiguem o desestímulo a esse ato de cuidado e afeto, por ser um problema social e de saúde pública.

Em primeiro plano, destaca-se que, geralmente, a amamentação é inicialmente dolorida para a mãe, devido, principalmente, ao desconhecimento das técnicas adequadas; com isso, a desinformação sobre a sua importância tende a ser responsável pelo desmame precoce. Nesse contexto, ao surgir dificuldades no processo, muitas mães desistem, ao invés de procurar auxílio profissional. Isso se deve à ignorância a respeito dos inúmeros benefícios que o aleitamento materno possui - para elas e, sobretudo, para os seus filhos, os quais, segundo a Organização Mundial de Saúde, adquirem todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento saudável. Destarte, essa falta de informação pode ocasionar crianças - e, consequentemente, adultos - mais vulneráveis e suscetíveis às enfermidades.

Em segundo plano, ressalta-se que o aleitamento em público é reprimido, simplesmente pela mulher expor os seios, atitude vista como inadequada pela sociedade machista brasileira. Sob esse viés, o corpo feminino é excessivamente sexualizado, o que cria um ambiente completamente desagradável para a mãe que amamenta publicamente, sobretudo em razão de julgamentos exteriores. Com isso, muitas mulheres evitam alimentar seus filhos nesses locais, devido ao que o sociólogo Durkheim conceitua de coerção social - pressão que a sociedade exerce sobre o indivíduo, a fim de fazê-lo enquadrar-se em padrões. Logo, tal conjuntura é lamentável e inaceitável, uma vez que o estereótipo criado limita um ato tão nobre e essencial, o qual deve ser desmitificado.

Diante do exposto, é indubitável a necessidade de tornar o aleitamento materno mais efetivo na nação, visto o quão é benéfico à saúde. Para tal, o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, deve difundir sobre a importância da amamentação e do rompimento de paradigmas sociais que o impede de ser executada de maneira plena, por meio de divulgações em redes sociais, as quais devem apresentar dados estatísticos. Somado a isso, a mídia deve propor entrevistas com profissionais da área de saúde, em programas televisivos, com o esclarecimento de perguntas enviadas pelos pais. Tais medidas visam sanar as dúvidas sobre a temática, além de alcançar o máximo possível de telespectadores para que se conscientizem e rompam com os tabus existentes. Espera-se, com isso, uma sociedade mais consciente, livre e saudável, ao caminhar paralelamente à campanha.