Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 28/08/2020

Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e o baixo índice de aleitamento materno no Brasil, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar as questões psicanalíticas e sociais que envolvem essa adversidade no país.

De antemão, vê-se que o Poder Público se mostra negligente ao não conscientizar a população acerca dos benefícios do aleitamento materno para as crianças. Isso porque uma mulher pode ter interesse de interromper a amamentação, pois, precisa voltar ao ambiente de trabalho. Contudo, entender que essa interrupção poderia ocasionar problemas de saúde a criança, como exemplo, a obesidade, tenderia a se apresentar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, já que, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre constantes conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).

Ademais, enfatiza-se que há uma certa resignação social perante o baixo índice de aleitamento materno. Como prova disso, percebe-se a inércia de parcela da população ao não lutar por fiscalização estatal, visto que falta inspecionar, com mais rigor, a efetivação da lei que prevê a interrupção da jornada de trabalho para a mulher amamentar o filho nos primeiros seis meses de vida, posto que, a ausência dessa verificação pode comprometer o direito à saúde da criança. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos indivíduos, prejudicando, dessa forma, o senso crítico destes.

Constata-se, finalmente, que o baixo índice de aleitamento materno deve ser solucionado. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização social, priorizando palestras educativas com especialistas da área de pediatria e nutrição, objetivando, com isso, assegurar a amamentação das crianças para prevenir doenças no futuro. Além disso, é fundamental sensibilizar a sociedade, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, a fim de que não haja a banalização dessa problemática, o que pode ser potencializado por intermédio do Ministério Público, através da fiscalização da legislação existente, com o objetivo de garantir o direito a saúde da criança. Desse modo, assim como no quadro “Guernica”, seria possível “Iluminar” o processo de resolução desse impasse.