Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 28/08/2020

Na obra “A república”, escrita por volta de 300 a.C., o filósofo Platão expõe sua idealização daquilo que seria a fórmula para se alcançar uma administração harmônica, livre das adversidades e do caos. Porém, muitos séculos após a divulgação dessa filosofia, ela ainda tem fomentado os anseios das civilizações pela construção de uma sociedade ideal. Entretanto, no Brasil, os entraves relativos ao aleitamento materno têm dificultado a concretização desse objetivo. Diante disso, cabe analisar os aspectos políticos e sociais que permeiam essa questão no país.

Antes de tudo, nota-se que o Poder Público se mostra negligente ao não garantir plenamente o direito de amamentar e ser amamentado até o sexto mês de vida do bebê, como recomenda a Organização Mundial da Saúde. Isso porque existe certa deficiência no processo de investimento financeiro, já que faltam verbas para ampliar a licença maternidade, que atualmente conta com apenas 120 dias dos 180 dias necessários para as necessidades biológicas do recém-nascido, prejudicando a saúde do mesmo. Sendo assim, verifica-se que o governo não tem propiciado o bem-estar de todos os cidadãos, desrespeitando os princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988.

Ademais, observa-se que o preconceito acerca do aleitamento materno é consequência dos valores arraigados da sociedade. Prova disso pode ser a tendência cultural de se marginalizar o corpo feminino, em virtude da visão limitada de parte da sociedade de que o ato de amamentar em espaços públicos ou laborais é um gesto obsceno, desconsiderando, porém, que o peito da mulher que está amamentando é o peito de uma mãe provendo nutrição ao seu filho. Logo, essa situação vem a fortalecer os estudos do filósofo Friedrich Nietzsche, posto que o acesso limitado a informações tem gerado uma leitura deturpada da realidade.

Convém, portanto, ressaltar que o aleitamento materno deve ser incentivado. Assim, é necessário que o Ministério Público solicite ao Poder Executivo um maior investimento financeiro nos programas de auxílio maternidade, priorizando a ampliação do benefício até o sexto mês de vida do bebê, objetivando reduzir os riscos de doenças crônicas. Também, é fundamental informar a população via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância da amamentação, potencializando o engajamento coletivo em prol do respeito às lactantes. Desse modo, seria possível se aproximar de uma sociedade funcional, como a idealizada na obra platônica.