Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 01/09/2020

Sabe-se que, no Brasil, de acordo com a Constituição de 1988, a saúde é um direito de todo cidadão. Entretanto, infelizmente, esse postulado não é colocado em prática de maneira eficaz, pois, alguns grupos de indivíduos, por exemplo, os recém-nascidos, não se asseguram integralmente desse benefício. Tal fato está intrinsecamente relacionado à amamentação, a qual sua atividade é ínfima no Brasil. Esse infortúnio está ligado à ineficácia do Estado e das instituições formadoras de opinião, que não possuem uma postura rígida para combater essa problemática.

Nesse contexto da negligência do poder público, pesquisas divulgadas pelo site de notícias G1 mostram que, em 2018, cerca de 60% dos bebês brasileiros não são amamentados exclusivamente por leite materno. Tal cenário aflitivo evidencia o despreparo e o desleixo em um dos principais pilares de formação de uma sociedade, que é o direito, concedido pela Carta Magna, à saúde. Devido a isso, o país enfrenta adversidades relacionadas à mortalidade infantil, pois o aleitamento materno é um ato que garante disposição física e mental para o recém-nascido, ou seja, sua prática evita que o bebê fique vulnerável a doenças. Entretanto, uma grande parte das mulheres não possui o conhecimento da importância da lactação,visto que o acesso à informação é precário,principalmente, em locais periféricos,onde, geralmente, a escolarização é deficiente. Assim, cabe ao governo federal a elaboração de medidas que eliminem esse problema alarmante.

Ademais, uma parcela da população possui um paradigma cultural preconceituoso, que, muitas vezes, coercitiva, de maneira psicológica e física, mulheres que amamentam em locais públicos. Tal preconceito está consolidado desde à escravidão no Brasil, onde as amas de leite eram escravas marginalizadas que exerciam essa tarefa. Apesar de essa discriminação no Brasil pós-moderno ser menor, ela, lamentavelmente, ainda existe, fazendo com que as mulheres fiquem desconfortáveis para realizar a amamentação em espaços coletivos, o que gera, consequentemente, a diminuição desse ato na sociedade brasileira. Tal fato poderia diminuir caso houvesse uma maior participação das instituições formadoras de opinião, como as escolas, no combate a essa mentalidade retrógrada,

Portanto, o Governo Federal, em conjunto com as instituições formadoras de opinião, por exemplo, as escolas e a mídia, deve, por meio de cartilhas educativas, evidenciar tanto os benefícios que o aleitamento materno pode trazer para o bebê quanto os prejuízos que os preconceitos trazem para os recém-nascidos e para as mães. Tal ação possui como objetivo o aumento da amamentação materna, além da diminuição das discriminações sociais sofridas pelas mulheres, corroborando, consequentemente, com a diminuição da mortalidade infantil.