Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 02/09/2020
Na obra “Alegoria da caverna de Platão”, o filósofo detalha que vivemos em um mundo de ilusões, e que na realidade somos orientados para tais comportamentos. Diante disso, é postulável que a realidade do aleitamento materno no Brasil ainda perpassa por desafios instigantes, os quais são obsoletos, contudo, ainda existem. Sendo assim, no tocante à coerção que a sociedade contemporânea exerce sobre a decisão de mães em realizá-lo, mas também na omissão por parte do Estado em prover subsídios para o desmembramento do tabu que a prática sofre. Sob esse espectro, cabe analisar as proposições que salientam estes efeitos.
A princípio, é fulcral pontuar que nos dias atuais a ocorrência de desinformação é demasiadamente presente, em diversos campos, dessa maneira, também responsável pela promoção coercitiva do povo sobre a prática de aleitamento. De fato, tal atitude assemelha-se ao conceito de banalidade do mal, proposto pela filósofa Hannah Arendt, o qual diz que na ocorrência frequente de uma situação opressiva, por conta de sua repetição, torna-se comum quando vista pela sociedade. Dessa forma, de maneira análoga, subentende-se que o ato de reprimir a eventual amamentação de um bebê, em meios públicos, é recorrente no corpo social atual, sendo interpretado como um problema, ou seja, são necessárias mudanças a respeito.
Outrossim, é cabível fomentar que ainda por ser uma questão de tabu, o Estado não proporciona segmentos para ampliar o apoio aos casos congêneres. Nesse viés, consoante o pensamento do filósofo alemão Friedrich Hegel de que ao Estado cabe o absoluto dever de responsabilizar-se por seu povo, assim, sob esta ótica, analogamente, denota-se que por desprover de políticas intencionadas ao meio, a estabilização do aleitamento materno, no país, torna-se inviável de ocorrer. Por conseguinte, sem que haja a intervenção estatal para estabelecer trâmites, o ato de amamentar, o qual promove mais qualidade de conteúdo alimentício para a criança, percorrerá relutantes vezes o preconceito hodiernamente.
Dessarte, infere-se a existência de entraves para a solidificação de uma realidade mais inclusiva e congruente para as mães que amamentam no Brasil. Desse modo, faz-se precípuo, então, que o Governo Federal em conjunto com o Ministério da Saúde, promovam e intensifiquem insumos para este estrato, por intermédio de propagandas e anúncios, com auxílio das mídias sociais, com o fito de conscientizar e modificar o imbróglio, ao possibilitar ser mais homogênea e real a existência de respeito, logo, mitigar-se-ão possíveis problemas. Assim sendo, o Estado convergir-se-á com sua responsabilidade para com o cidadão, como mensurado por Hegel.