Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 03/09/2020

Amamentação: um símbolo da maternidade, o instinto biológico e tabu na sociedade. Na série Game of Thrones, tal tema é apresentado nas cenas entre Robyn Arryn e sua mãe, Lysa Arryn, essa que amamenta seu filho na frente dos súditos mesmo ele tendo 10 anos de idade. O ato de amamentar, seja em público ou seja em lugares fechados, continua nas pautas brasileiras de assuntos polêmicos, esses que se estendem desde a importância para a saúde do bebê até às dores causadas por ela.

É relevante abordar, primeiramente, o grandioso valor que o leite materno oferece ao recém-nascido por meio da imunização passiva natural, que consiste no recebimento de anticorpos da mãe. Essa é a primeira base de proteção do sistema imunológico daquele, e de acordo com a Organização Mundial da Saúde, traz benefícios que se estendem para a vida adulta como, por exemplo, menor risco de desenvolver obesidade. Mas as qualidades não abrangem apenas os nenéns; o corpo feminino foi programado para receber, cuidar do bebê, e amamentar possibilita a interação desse com a mãe, além de diminuir os custos com a alimentação nos primeiros seis meses de vida e facilitar a perda de peso materna por conta do gasto energético.

Paralelo a isso, o aleitamento, embora natural, traz inúmeros problemas para a progenitora como mamilos doloridos, empedramento e falta do leite, sendo esse último, um reflexo da insegurança materna podendo atingir o bebê por meio do não ganho de peso. Essa hesitação é duramente agravada pela falta de informações e apoio psicológico que pode levar à quebra da conexão maternal induzindo ao uso de fórmula antes dos seis meses de vida, contrariando o Ministério da Saúde que preconiza o aleitamento materno exclusivo até o meado do primeiro ano, seguido por esse como complementar até os 2 anos.

Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca do aleitamento materno é uma grande questão no Brasil e merece mais notoriedade nos círculos de conversa. Nessa lógica, é imperativo a construção de canais de comunicação acessíveis, pelo Ministério da Saúde, como propagadas em redes sociais e podcasts semanais que apresentem rodas de conversas entre médicas, obstetras, ginecologistas, futuras mamães e mulheres que já viveram a maternidade, para que haja trocas de informações, conhecimentos e apoio sobre essa fase tanto turbulenta quanto uma verdadeira dádiva. Nessas reuniões, pautas como a necessidade do amamentamento até os 6 meses, o mister apoio mental e a verdadeira face da maternidade devem ser discutidas, para que mulheres que estão passando por esse momento se sintam acolhidas e saibam que tem um veraz apoio invisível.