Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 05/09/2020
Na série norte-americana “Jane The Virgin”, a qual acompanha a história de uma jovem que foi acidentalmente inseminada, há o debate acerca das dificuldades que muitas mulheres encontram ao se tornarem mães, principalmente no ato de amamentação. Fora da ficção, no Brasil, tal tema ainda está em questão, visto que o preconceito da sociedade e o marketing incisivo das empresas de fórmulas infantis são alguns dos fatores que impedem o índice de aleitamento materno atinja o padrão recomendado pela OMS, tornando-se imprescindível medidas para reverter esse quadro.
Ressalta-se, a princípio, que o preconceito social em relação ao ator de amamentar em público faz com que muitas mães evitem alimentar seus filhos na hora que eles precisam por medo de serem alvos de comentários desagradáveis e de olhares de censura. Segundo uma pesquisa realizada pela Lansinoh Laboratórios - líder mundial em produtos para amamentação -, 47,5% das brasileiras disseram que já foram criticadas ou sofreram preconceito por esse gesto. Tal dado mostra que tanto o sucesso como o fracasso do aleitamento materno não é só responsabilidade da mãe.
Convém, ainda, lembrar que o marketing incisivo das empresas de fórmula infantis dissemina a cultura de que a alimentação artificial é melhor e mais nutritiva que o aleitamento materno, influenciando os pais à adoção de mamadeiras e leites sintéticos e processados ainda nos primeiros anos de vida do bebê, levando ao desmame precoce. Isso pode ser evidenciado em um dos episódios da série “Workin’ Moms”, na qual a personagem Kate se rende ao uso de fórmulas infantis para facilitar a alimentação do seu recém-nascido, uma vez que se trata de um processo muito menos demorado que a amamentação, ocasionando diversos problemas de saúde dele alguns meses depois. Essa situação ressalta a necessidade de dar apoio ao aleitamento materno de, pelo menos, durante os seis primeiros meses de vida.
Torna-se, evidente, portanto, que a prática da amamentação é de suma importância tanto para o bebê quanto para a mãe. Logo, faz-se necessário que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos incentive a criação de mais leis e sanções que prevê multa aos estabelecimentos que proíbam o aleitamento materno -como a aprovada em outubro de 2015 no estado de São Paulo -, por meio do Poder Legislativo, a fim de garantir à todas as mães o direito de amamentarem onde quiserem sem serem incomodadas por isso. Além disso, o Governo deve promover uma regulamentação mais adequada sobre a propagandas que incentivem o uso de fórmulas infantis sem a necessidade médica, garantindo assim um melhor aporte nutricional aos recém-nascidos e atendo-se ao índice proposto pela OMS. Dessa forma, situações como as descritas pela série norte-americana podem ser amenizadas.