Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 06/09/2020

“E o mundo vai ver uma flor/ Brotar do impossível chão”. A cantora Maria Bethânia, ao entoar esses versos na canção “Sonho Impossível”, revela um sentimento de otimismo do eu lírico acerca do futuro, haja vista que acredita no romper de uma base rígida por um elemento delicado. É válido estabelecer uma analogia entre essa metáfora e o baixo índice de aleitamento materno no Brasil, uma vez que, apesar de complexo, esse problema também pode ser “rompido”. Nesse contexto, vale analisar os aspectos políticos e sociais que envolvem essa questão no país.

Antes de tudo, nota-se que o Poder Público se mostra negligente ao não garantir plenamente o direito de amamentar e ser amamentado até o sexto mês de vida do bebê, como recomenda a Organização Mundial da Saúde. Isso porque existe certa deficiência no processo de investimento financeiro, já que faltam verbas para ampliar a licença maternidade, que atualmente conta com apenas 120 dias dos 180 dias necessários para as necessidades biológicas do recém-nascido, prejudicando a saúde do mesmo. Sendo assim, verifica-se que o governo não tem propiciado o bem-estar de todos os cidadãos, desrespeitando os princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988.

Ademais, observa-se que o preconceito acerca do aleitamento materno é consequência dos valores arraigados da sociedade. Prova disso pode ser a tendência cultural de se marginalizar o corpo feminino, em virtude da visão limitada de parte da sociedade de que o ato de amamentar em espaços públicos ou laborais é um gesto obsceno, desconsiderando, porém, que o peito da mulher que está amamentando é o peito de uma mãe provendo nutrição ao seu filho. Logo, essa situação vem a fortalecer os estudos do filósofo Friedrich Nietzsche, posto que o acesso limitado a informações tem gerado uma leitura deturpada da realidade.

Convém, portanto, ressaltar que o aleitamento materno deve ser incentivado. Assim, é necessário que o Ministério Público solicite ao Poder Executivo um maior investimento financeiro nos programas de auxílio maternidade, priorizando a ampliação do benefício até o sexto mês de vida do bebê, objetivando reduzir os riscos de doenças crônicas. Também, é fundamental informar a população via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância da amamentação, potencializando o engajamento coletivo em prol do respeito as lactantes. Desse modo, assim como o eu lírico da canção, seria possível romper com o baixo índice de aleitamento materno no país.