Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 12/09/2020
O aleitamento materno - ação da mãe de amamentar o seu bebê durante os seus primeiros meses de vida - é um ato que ocorre na história desde o início dos tempos. Essa prática ajuda na perda de peso após o parto e transfere para a criança os nutrientes necessário para garantir a sua saúde. Porém, considerar a amamentação como algo natural e essencial é algo que nas últimas décadas vêm se discutindo no país. No documentário brasileiro “De Peito Aberto”, lançado no ano de 2019, o longa aborda questões como o desconhecimento da população sobre a importância do leite materno, assim como a sexualização da mulher, e o preconceito ao amamentar em locais públicos.
De início, não é possível incentivar a amamentação em uma sociedade que desconhece de sua importância e benefícios. A esse respeito, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que se amamentem as crianças durante os seus primeiros 180 dias de vida, enquanto que no Brasil o tempo médio corresponde a apenas 54 dias. Neste mesmo sentido, em alguns casos, isso ocorre por desinformação parental. Em outros, as mães optam pela praticidade de comprar leite em caixa por falta de apoio familiar, ou mesmo por não possuirem o tempo necessário do cotidiano para amamentar. Assim, ao longo das últimas décadas essa ação vem sendo esquecida, tornando a amamentação uma realidade distante.
Sob outra perspectiva, vale ressaltar ainda que o ato de amamentar publicamente se tornou um tabu na sociedade. Infelizmente no Brasil, o machismo enraizado promove a função de julgar as mulheres que põem os seus seios a mostra, mesmo que o objetivo seja a alimentação do seu bebê. Na maioria das vezes, a ação é vista como algo nojento e interpretada de forma erótica pelos homens. Com isso, uma pesquisa global sobre aleitamento materno realizada em 2015 colocou o Brasil como o país onde mais mulheres sofrem preconceito por amamentarem em público, atingindo a marca de 47%. Isso, termina por gerar sentimentos de culpa na mãe, induzindo-a indiretamente a não aleitar o(a) seu filho(a).
Em virtude dos fatos supracitados, é necessário que medidas sejam tomadas. Para isso, o Ministério da Saúde em conjunto com a OMS, deveria criar um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Nesse projeto, a mídia e as instituições públicas e privadas do país se comprometeriam a abordar o tema em questão em propagandas, palestras, reuniões ou debates para orientar a população sobre a importância da amamentação, assim como, tentariam desconstruir o preconceito que assola muitas mulheres. Como efeito social, espera-se que os desafios do aleitamento materno no Brasil possam cessar com o tempo.