Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 23/09/2020
Em seu documentário “De peito aberto”, a roteirista brasileira Graziela Mantoanelli reflete sobre a importância da amamentação para o bem-estar do recém-nascido e para a interação entre filho e mãe. Devido a fatores históricos e sociais, os pensamentos da autora não têm sido aplicados na sociedade brasileira, haja vista a aversão da população a esse ato natural e fundamental, o que afeta, em negativo, as esferas da saúde e do direito. Essa absurda realidade notifica um entrave para o desenvolvimento, o que torna cabível a análise sobre a questão do aleitamento materno, a fim de minimizar, no Brasil, a problemática anteriormente mencionada.
Em primeiro plano, vale salientar que a sociedade grega espartana enxergava a mulher com bons olhos e defendia o contato maternal como crucial para a formação do bom soldado. Entretanto, com o incessante processo de globalização, fortemente estudado pelo geógrafo brasileiro Milton Santos e que influencia o uso da tecnologia sobre as pessoas, esse conceito foi alterado. Motivadas pela pressão dos meios de comunicação e pelo preconceito das pessoas, muitas mães não conseguiram fazer a amamentação de maneira adequada. Nesse contexto, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas 39% dos bebês brasileiros, em 2017, alimentaram-se apenas com o leite materno em seus primeiros cinco meses de vida que evidencia um problema para a saúde desses indivíduos, haja vista a necessidade dos nutrientes desse composto para o seu desenvolvimento; uma lástima.
Outrossim, se por um lado, o problema em pauta causa déficit nutricional para recém-nascidos, por outro, ele restringe a efetivação do direito da mulher e da criança a ter uma boa fase de aleitamento. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo de número 227, assegura à mãe e ao bebê, o direito à amamentação, bem como a proteção contra discriminação, negligência e opressão relacionadas a esse eixo. No entanto, nota-se que, devido à falta de políticas públicas para o instigar respeito para com a prática comentada, muitas mulheres são, de forma errônea, discriminadas ao realizá-la, o que interfere, concomitantemente, no cumprimento da cláusula mencionada; um verdadeiro desatino.
Destarte, é imprescindível que medidas sejam tomadas para minimizar a problemática tematizada, originária de problemas históricos e sociais. É, portanto, válido ao governo promover, por meio do Ministério da Saúde, ações como o envio de profissionais da saúde às casas de mulheres gestantes ou em situação pós-parto. Nessas visitas, devem ser dadas, por meio de profissionais qualificados, como médicos e enfermeiros, orientações sobre a importância do aleitamento materno para a criação de laços e para o bem-estar nutricional das crianças. Quiçá, tais medidas instigarão a garantia da saúde e o cumprimento dos direitos, reverenciando o documentário de Graziela e permitindo o desenvolvimento.