Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 14/09/2020

Desde as sociedades açucareiras da era “Brasil Colônia”, a figura feminina era relegada à condição de inferioridade na hierarquia social e econômica. De maneira análoga ao período colonial, percebe-se que tais traços históricos ainda influenciam, de forma negativa, em estruturas de pensamento e de comportamento hodiernas, marcadas por relações de subserviência e pelo sexismo. Com efeito, constata-se que as mulheres enfrentam desafios no que tange à questão do aleitamento materno no Brasil, o que torna mister analisar suas principais causas: o machismo e a negligência governamental.

A princípio, é imperativo pontuar que estruturas comportamentais e mentais machistas da sociedade brasileira constituem impasses socioculturais para o pleno aleitamento materno. Sob a perspectiva da filósofa contemporânea Hannah Arendt, a pluralidade é inerente à natureza humana, de modo que todos deveriam estar habituados a isso. No entanto, a visão reducionista e arcaica acerca das particularidades biológicas femininas revela a falta de empatia social em lidar com as diferenças. Dessa maneira, é fundamental que haja mudanças de paradigma para reverter a problemática.

Outrossim, é válido averiguar que a Constituição Federal de 1988 garante o direito à saúde e ao bem-estar como inalienáveis a todos os cidadãos. Todavia, tal preceito jurídico faz-se pouco efetivo em metodologias práticas, devido à falta de apoio governamental às medidas infraestruturais e de engajamento à amamentação, o que contrasta com a realidade nacional. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 36,6% das crianças com até 6 meses recebem exclusivamente leite materno, sendo que o índice está acima da média mundial. Logo, é essencial uma reformulação das políticas públicas atuais.

Em síntese, a observação crítica dos fatos mencionados reflete a urgência de providências para mitigar o panorama em voga. Portanto, compete ao Governo Federal, mediante verbas públicas, investir na construção de espaços específicos para o aleitamento materno em locais públicos. Isso deve ter como objetivo tornar a ação governamental mais promissora, além de garantir o conforto e a saúde das mulheres que amamentam. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, a partir de parcerias com as grandes mídias, realizar campanhas de incentivo à amamentação e de combate ao preconceito social quanto à questão, com o fito de promover uma ampla conscientização da sociedade civil. Assim, tornar-se-á possível uma gradual quebra de paradigmas.