Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 04/12/2020
Segundo a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde Brasileiro, o aleitamento materno é recomendado até os 2 anos de idade, sendo os primeiros 6 meses de amamentação de extrema importância para saúde da mãe e bebê, visto que os benefícios da lactação são inúmeros e insubstituíveis. No entanto, na conjuntura brasileira hodierna, infelizmente, muitas mulheres não amamentam seus filhos ou enfrentam dificuldade nesse processo, devido à falta de informação sobre a amamentação como também ao pouco tempo de licença maternidade garantido pela legislação federal.
Diante desse cenário, cabe analisar como a baixa promoção à informação sobre a importância do aleitamento materno dificulta uma maior adesão à essa prática no Brasil. Apesar da lactação materna ser recomendada por órgãos de saúde de referência, ainda é incipiente o número de campanhas e palestras, ofertadas pelo SUS, que esclareçam sobre os benefícios insubstituíveis do leite materno, como o fortalecimento do sistema imunológico da criança e a menor probabilidade da mãe desenvolver de câncer de mama. Em decorrência disso, muitas gestantes, por falta de conhecimento, deixam de ofertar o peito e dão leites industrializados para seus bebês acreditando ter mesma eficácia ou até mesmo serem melhores. Dessa forma, fica claro que a falta de esclarecimento das mães implica na redução da taxa de aleitamento materno.
Outrossim, o curto período de licença maternidade estorva o cumprimento do tempo mínimo de amamentação indicado pelos órgãos de saúde. Nessa direção, é valido constatar que o tempo de licença maternidade garantido pela legislação federal brasileira é de 120 dias (4 meses), contudo o Ministério da Saúde brasileiro recomenda 6 meses de amamentação exclusiva e em livre demanda, o que se torna praticamente inviável com o retorno da mãe ao trabalho antes desse prazo. Assim, fica claro uma contradição entre as instituições administrativas brasileiras, uma vez que a lei não assegura o tempo mínimo de amamentação indicado pelo SUS. Dessa maneira, infortunadamente, o desmame precoce torna-se praticamente inevitável com o retorno das mães ao trabalho.
Portanto, as Sociedades Brasileiras de Obstetrícia e Pediatria devem pressionar o Ministério da Saúde e o Congresso Nacional, por meio de abaixo-assinados virtuais, solicitando a promoção de informações sobre os benefícios do aleitamento materno e a extensão do período de licença maternidade. Essas ações podem ser efetivadas, respectivamente, mediante a criação de mini cursos de amamentação para gestantes em postos de saúde e pela aprovação de um projetos de lei que propõe a ampliação da licença maternidade para o período de no mínimo de 6 meses. Enfim, após a adoção de tais medidas é esperado a que as mães enfrentem menos desafios para amamentar seus filhos no tempo preconizado pelos órgãos de saúde.