Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 08/10/2020
Em sua rede social, Laís Brito, digital influencer, mostra a sua rotina da amamentação e as suas boas vivências que isso a proporcionou. Contudo, substancial parcela das mães brasileiras não compartilham desses bons momentos que a blogueira expõe. Com efeito, o julgamento da sociedade, bem como a omissão do Estado prejudicam um dos benefícios mais importantes para os bebês: o aleitamento materno.
Em primeiro lugar, o preconceito por parte da sociedade perante à amamentação é evidente. A esse respeito, segundo a Pesquisa Global sobre Aleitamento Materno, quase 50% das mulheres já passaram por situações desconfortáveis por estarem amamentando. Nesse sentido, entende-se que muitas pessoas têm a mentalidade incoerente de que lactar em lugares movimentados é algo irreverente. Em virtude disso, — constrangidas com tal situação — as progenitoras optam por não mais continuarem com esse desconforto, recorrendo às fórmulas que são menos nutritivas para os bebês e, dessa maneira, prejudicando o desenvolvimento deles. Em síntese, enquanto houver a indiferença da sociedade, a plena amamentação será a exceção.
Ademais, o Estado insiste em se omitir frente ao aleitamento materno. A exemplo disso, a Constituição Federal do Brasil — promulgada em 1988 — determina que o Estado deve garantir maternidade a todos. Entretanto, esse direito não é congruente com a realidade, haja vista que as mães são impedidas de exercer seu completo papel social por ausência do governo que não dá assistência para elas terem a pega correta. Nesse sentido, ocasiona-se os principais desafios da maternidade: a dificuldade da criança em alimentar-se, quanto às lesões e dores nas mamas. Sendo assim, não é razoável que esses detrimentos permaneçam.
Salienta-se, portanto, a relevância da sociedade desvencilhar da sua compostura no que tange ao aleitamento materno. Para isso, o Ministério da Educação deve desconstruir o pensamento de que amamentar em qualquer espaço é atitude desrespeitosa por meio de projetos pedagógicos — como palestras e debates — sobre a importância do aleitamento em todos os espaços, a fim de transformar a alimentação dos bebês em algo trivial nos lugares públicos. Paralelamente, o Ministério da Saúde deve ensinar a pega correta às lactantes, por intermédio da disponibilização de enfermeiros nos primeiros dias de amamentação, a fim de melhorar a experiência dessas mulheres e ,consequentemente, estimulá-las a aleitar com mais frequência. Posto isso, a realidade de Laís brito tornar-se-á mais comum entre os brasileiros.