Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 12/10/2020

A série brasileira “ Coisa mais linda”, apresentada pela plataforma Netflix, retrata os desafios da mulher do século XX no processo de aleitamento. Fora da ficção, a realidade hodierna, no Brasil, não difere do contexto apresentado, uma vez que as dificuldades e os tabus do processo de amamentação continuam perene na sociedade. Nesses termos, é imprescindível analisar essa mazela, seja por um contexto histórico, seja por um viés social, a fim de encontrar metodologias ativas como intervenção.          Decerto, a importância do leite materno para o recém-nascido é inquestionável, tanto para a saúde da criança quanto para promover um maior contato mãe e filho. Entretanto, por causas individuais muitas mulheres não produzem leite suficiente ou não podem amamentar, como mulheres com HIV, de modo a buscar maneiras para substituir essa prática. No passado escravocrata uma dessas alternativas era utilizar negras como amas de leite, essa amamentação cruzada permaneceu até o início do século XXI, e hoje sendo proibida e considerada uma exploração sexual. Nessa óptica, é preciso superar esse passado para que o corpo coletivo consiga evoluir sem ferir o direito de nenhuma mulher.

Outrossim, compreende-se que os impasses do aleitamento materno se tornam ainda mais danosos quando se analisam os tabus que envolvem o tema. Exemplo disso é a amamentação em local público, prática considerada, por grande parte da sociedade, como algo desrespeitoso, diante disso expõe-se uma contradição, pois se é um processo natural e saudável não deve haver exigências para que aconteça restritamente. Somado a isso, mulheres que estão no mercado de trabalho, sem carteira assinada, precisam muitas vezes interromper antecipadamente a amamentação e com isso são consideradas mães ruins. Logo mudanças, como as que ocorreram na série citada, por auxílio de manifestação, são necessárias no âmbito real.

Portanto, para objetivar “Ordem e Progresso” - lema nacional - é preciso minimizar, quiçá erradicar, os desafios do aleitamento materno. Com isso, é imperativo que haja uma parceria entre acadêmicos de direito e escolas de ensino médio, para os universitários repassarem o conhecimento sobre os direitos assegurados à mulher grávida e mães. Isso deve acontecer por intermédio de palestras e rodas de conversas interativas e esse alunos posteriormente repassarem esse aprendizado para a comunidade local com um projeto denominado “ Semana da mulher que amamenta”, com a finalidade de que esse conhecimento geral, promova um maior respeito a história das mulheres amas de leite e os tabus sejam menos frequentes.