Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 14/10/2020
O ser humano é um dos poucos seres vivos que continua ingerindo leite mesmo depois da maternidade, ocasionando, em muitos, a contínua produção da enzima lactase, apesar de não ser algo que devesse ocorrer. Embora não seja essencial a ingestão de leite na pós maternidade, durante o seis primeiros meses de vida é muito importante, contudo, no Brasil, esse hábito não é seguido à risca, devido, mormente, a desinformação sobre os benefícios do aleitamento e ao receio de julgamento.
Sobre uma análise, a ignorância quanto as consequência da amamentação como única fonte de alimento do bebê nos primeiros seis meses de vida é um dos precursores do percalço. Nesse aspecto, em concordância com o filósofo François Rabelais, quando esse afirma que a desinformação é a fonte de todos os males, percebe-se que a medida em que menos mães souberem de fatos como o de que os primeiros anticorpos do bebê provém do leite materno, muitas não verão importância nessa prática. Por conseguinte, vários recém-nascidos ficam submetidos a um risco bem maior de adquirir infecções, que segundo o Ministério da Saúde, atinge mais de 10% da crianças até um ano de idade, sendo em casos mais graves, fatal.
Ademais, o receio de amamentar em público é outro fator que contribui com a problemática à âmbito brasileiro. Sobre esse viés, ao passo em que muitas mulheres se sentem envergonhadas ou mesmo coibidas a alimentar seus filhos por intermédio do leite materno em ambientes públicos, seja por achar algo inapropriado ou por preconceito, há uma contribuição com a substituição da dieta alimentar inicial dessas crianças, sendo, nos primeiros meses de vida, algo inapropriado em decorrência das suas necessidades, como defende a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com isso, muitos desses indivíduos que não receberam o correto aleitamento são mais propensos a desenvolver doenças, visto que o leite materno contribui ativamente com o sistema imunológico, bem como podem ter suas capacidades cognitivas parcialmente reduzidas, como defende artigos validados pela própria OMS.
Assim, verifica-se como a desinformação sobre os benefícios do aleitamento e o receio de julgamento social podem desestimular o aleitamento materno no Brasil. Dessa forma, é necessário que o Ministério da Saúde estabeleça nos procedimentos do acompanhamento pediátrico, como no pré-natal, o esclarecimento por parte do médico sobre as diversas questões da maternidade, dentre elas a importância que o aleitamento tem para o recém-nascido, como a contribuição com o sistema imunológico,através da mobilização por campanhas destinadas a classe médica pediátrica, a fim de incentivar a parcela materna a aderir a esse hábito e coibir o preconceito e o constrangimento que o rodeiam.