Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 29/10/2020

A Constituição Federal, em seu artigo 6º, assegura a saúde como um direito social a todos os cidadãos, independentemente da idade. Entretanto, esse documento é ferido com os desafios enfrentados pelo aleitamento materno no Brasil, uma vez que, mesmo sendo benéfico para o bebê, sofre vários impasses na sociedade. Dentre eles, o preconceito quanto a amamentação em público, já que os seios femininos são sinônimos de erotização, e a falta de informação das lactantes quanto a importância desse ato. Dessa forma, exigem-se medidas paliativas.

A princípio, é válido salientar que a amamentação já é um ato antigo, presente até na mitologia grega, como na história de Zeus, que foi amamentado por uma cobra. Contudo, hodiernamente, essa prática passou a ser objeto de exibicionismo e sexualização, haja vista a cultura machista e preconceituosa vigente no corpo social que entende as mamas femininas como fetichização, deixando a mulher suscetível a ataques e constrangimentos. Como, em caso recente, a atriz Ísis Valverde que, ao postar uma foto amamentando seu filho, recebeu ofensas e comentários pejorativos, evidenciando o quão grave é a problemática.

Outrossim, segundo a biologia, o aleitamento, além de uma prática de amor, é também um ato de saúde, já que com ela, o bebê, nos primeiros meses de vida, recebe nutrientes, anticorpos e demais componentes essenciais ao seu desenvolvimento. Porém, mesmo importante, esse procedimento é negligenciado pelas lactantes, visto a falta de informações e conhecimento a respeito do tema e sua importância tanto para ela como para o bebê, como, a título de exemplo, melhora da sensação psicológica, devida ao compartilhamento de hormônios. Consoante dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas 35% dos recém-nascidos são amamentados, o que prova que quando a negligência é regra, a lactação é exceção.

Por conseguinte, compete ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, a divulgação de campanhas publicitárias, no rádio e na televisão, que, munidas de dados e informações, divulgue a importância da amamentação, como ela ajuda no desenvolvimento da crianças e na melhora da conexão mãe-filho, a fim de diminuir o preconceito por parte da sociedade e incentivar à lactação. E só assim, com medidas graduais e progressivas, diminuir os impasses sofridos pelo aleitamento no país e fazer valer a Carta Magna de 1988.