Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 10/11/2020

O filósofo e padre São Tomás de Aquino defendia que todas as pessoas deviam ser tratadas com a mesma importância. Porém a questão do aleitamento materno contraria o ponto de vista do filósofo, uma vez que, no Brasil, grande parte das mães não se sentem confortáveis em amamentar em público, visto os olhares discriminatórios e reprobatórios que recebem. Além disso, há também a falta de circulação de informação acerca da importâcia da amamentação na saúde das crianças.

Nesse sentido, salienta-se que muitas mulheres enfrentam preconceitos ao amamentar em estabelecimentos públicos, dado que tal comportamento hostil é endossado, principalmente, pela objetificação do corpo da mulher. Isto é, como a objetificação do corpo feminino tornou-se naturalizada, a aleitamento materno em público passa a ser visto como falta de pudor e até como um ato pornográfico e não como uma conduta natural e comum a todos em certa fase da vida. Ademais, ainda que exitam leis que garantam o direito a amamentação em locais abertos em vários municipios e estados, muitas mães se sentem intimidadas e sem apoio da sociedade.

Outrossim, outra problemática do aleitamento no Brasil é a falta de circulação de informação sobre a relevância do leite materno para o organismo das crianças. Segundo a Sociedade Brasileira de Pedriatria, a amamentação é a melhor maneira de atender às  necessidades nutricionais e imunológicas dos bebês. Embora haja várias pesquisas que comprovam a influência do aleitamento na saúde física das crianças, essas não são discutidas de maneira ampla, para que ocorra a propagação de conhecimento.

“Só percebemos a importância da nossa voz quando somos silenciados”, a frase da ativista paquistanesa Malala Yousafzai descreve o sentimento de várias mães, posto que a hostilidade, especialmente com a amamentação em público, as emudece. Dessa forma, a fim de reverter esse cenário, torna-se necessário que a Camâra de Deputados proponha a criação de uma lei válida em todo o território brasileiro, garantindo o direito da mulher de amamentar em público. Além do mais, é imprescindível que médicos obstetras orientem suas pacientes, durante as consultas  de pré-natal, sobre a necessidade da amamentação para o bem estar da criança. Assim, se medidas forem tomadas o aleitamento materno deixará de ser uma questão a ser resolvida no Brasil.