Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 28/12/2020

A questão do aleitamento materno no Brasil não é somente hodierno, já que esse retrato mostrou-se presente desde a colonização, em que as mulheres com poder aquisitivo entregavam seus filhos às escravas, amas-de-leite, para suprir essa necessidade fisiológica de seus bebês. Atualmente, essa situação continua, porém substituindo as doadoras de leite por fórmulas industriais. É notório que a carência de conscientização sobre a importância do amamentamento é um entrave nesse contexto. Ademais, a discriminação sofrida é um impasse para a sua concretização.

Nesse sentido, pode-se afirmar que a ausência de consciência por grande parte da população, principalmente das mulheres, é uma das causas para pouca adesão ao aleitamento materno, ou seja, sem o uso de fórmulas prontas. Nessa perspectiva, a BNCC( Base Nacional Curricular Comum) - documento que determina os conteúdos ensinados nas escolas - não prevê a discussão desse tema. Não há dúvidas que sem o debate desde cedo sobre a importância do amamantamento materno, haja visto que o leite materno é o alimento mais rico em nutrientes e é fundamental para o desenvolvimento do bebê, segundo a OMS, a instrução torna-se mais difícil. Logo, o pensamento de Thomas Hobbes que a intervenção estatal é necessária como forma de proteção dos indivíduos de maneira eficaz não se concretiza, uma vez que o Estado deixo-os à mercê do desconhecimento, o que torna a aderência ao aleitamento exclusivo, muitas vezes, a segunda opção da mulher.

Além disso, o preconceito sofrido por quem amamenta é um impedimento à sua realização. Há de se considerar que muitas mulheres sofrem discriminação ao alimentar seus filhos, sobretudo em lugares publicos, o que acaba por inibir essa pratica. Prova disso é uma matéria feita pelo programa ‘Fantástico’ que levou mulheres amamentando para espaços abertos e mostrou a reação das pessoas em volta ,que muitas vezes, eram de nojo, afastamento, palavras esdrúxulas e entre outras coisas. Desse modo, retratando que situações como a mostrada anteriormente é uma realidade enfrentada pelas lactantes que optam pelo aleitamento e leva ao desencorajamento dessa ação, por saberem a marginalização sofrida. Em suma, todo esse contexto desfavorável acaba por inibir o aleitamento no Brasil.

Fica claro, portanto, que é vital a ação do Ministério da Educação - que tem como função cuidar de todo sistema educacional - deve incluir o amamentamento como um dos conteúdos do ensino médio. Isso pode ocorrer por meio da alteração da BNCC. Dessa forma, conscientização e informando sobre a importância do aleitamento materno exclusivo. Também, essa pasta ministerial deve realizar campanhas publicitárias que destruam a imagem negativa do amamentamento, assim incentivando a adesão das lactantes a alimentar os seus filhos com seu próprio leite.