Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 02/01/2021
Em seu livro “Utopia”, o filósofo Thomas More, é retratada a história de uma sociedade perfeita e em harmonia, a qual é livre de conflitos e mazelas. Entretanto, esse ideal de nação restringe-se somente à literatura, uma vez que, na realidade brasileira, existem entraves a serem superados quanto ao aleitamento materno. Nesse âmbito, faz-se necessário analisar as origens acerca do óbice social apresentado: necessidade de voltar ao trabalho e individualismo.
Sob esse viés, é imperativo analisar como os fatores sociais influenciam nas escolhas das pessoas. Isso é elucidado pelo psicólogo norte-americano, Abraham Maslow — conhecido pela Teoria da Pirâmide de Maslow — o qual afirma que os seres humanos vivem para satisfazer suas vontades, com o objetivo de conquistar a plena autorrealização. Segundo o autor, essas necessidades devem ser supridas por ordem de prioridade, na qual é preciso prover primeiramente o indispensável, para depois passar para o anseio subsequente/seguinte, subindo gradualmente a pirâmide. Nesse sentido, os indivíduos com baixo poder aquisitivo priorizarão serviços de necessidades básicas, como alimentação e moradia, em detrimento da amamentação, uma vez que estas, por não serem essenciais à sobrevivência, tornam-se supérfluos quando comparados àquelas. Sob essa ótica, nota-se que as mães abandonam o aleitamento materno precocemente porque precisam trabalhar para ajudar no sustento de sua família. Assim, a fragilidade econômica contribui para que as lactantes desistam de amamentar.
Além disso, vale ressaltar que o individualismo das mães colabora para essa problemática. Acerca disso, o filósofo Adam Smith — em sua obra “Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações” — afirma que a benevolência impede o progresso e que as nações apenas se desenvolveriam a partir da busca das suas ambições próprias. No entanto, mesmo depois de séculos, a ideologia egoísta do pai do liberalismo permanece no imaginário coletivo, que rejeitam o aleitamento por motivos pessoais, justamente por causa dessa visão individualista. Assim, enquanto for imposta a meritocracia, a benevolência será a exceção.
Diante do exposto, evidenciam-se os desafios sociais para a resolução desse impasse. Nessa lógica, cabe ao Governo Federal formular leis que estendam a licença maternidade para seis meses, para que as mães possam amamentar seus bebês sem se preocupar com o trabalho. Paralelamente, o Poder Executivo Federal deve desenvolver projetos governamentais que informem a população sobre a importância do aleitamento materno — para a mãe e para o bebê —, por meio de palestras gerenciadas por pediatras, as quais orientarão as grávidas e as lactantes. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pelos princípios elencados por Thomas More.