Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 02/01/2021
No carnaval carioca de 2019, escola de samba Acadêmicos do Salgueiro levou à avenida Marquês de Sapucaí um enredo de homenagem as amas de leite do período colonial. Paralelo a isso, mesmo após a abolição, parte da sociedade – aquela que pode pagar – terceiriza a amamentação as fórmulas. Com isso, urge a problemática da lactação, seja pela falta de interesse materno, atrelado a falta de incentivo médico ou pelo preconceito social. Sendo assim, é necessario analisar o aleitamento materno no Brasil.
Em primeiro lugar, é preciso observar a questão de maneira pragmática. De acordo com a Unesco, em 2013, a quantidade de crianças que receberam aleitamento materno exclusivo até os 6 meses não chega aos 40%. Seguindo essa linha de pensamento, destaca-se que o resultado do estudo é incompatível com a importância do leite materno, haja vista que é através dele que o bebê tem contato com anticorpos fundamentais para o seu desenvolvimento, além de fortalece o laços materno, a amamentação ainda é gratuita. O resultado da pesquisa pode ser explicado pela falta de incentivo da equipe médica durante o pré-natal que não fornece à gestante informações acerca da amamentação, e dessa forma, acabam não tendo interesse, seja por medo da dor ou futuros problemas estéticos. Ademais, raízes patriarcais mostram-se presentes na problemática. Segundo a Pesquisa Global sobre Aleitamento Materno, no Brasil, quase 50% das mulheres alegam ter sofrido preconceito por amamentar em público. Sob tal ótica, nota-se que além da dor, das noites mal dormidas e a grande frequência das mamadas, as mulheres ainda precisam lidar com o preconceito nas ruas, com isso, de acordo com a mesma pesquisa, a média de tampo de aleitamento materno no Brasil é de apenas 54 dias, enquanto ONU indica até dois anos. Dessa forma, o preconceito impossibilita uma nutrição efetiva ao bebê e causa imenso desconforto a mãe.
Logo, percebe-se que o aleitamento materno no brasil tem sua ineficácia motivada, dentre outros motivos, pela falta de informação e pelo preconceito social, e, a fim de solucionar a impasse, medidas são necessárias. Para tanto, cabe ao estado, na figura do Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, a divulgação de panfletos informativos em jornais impressos e online com dados acerca do aleitamento materno e sua importância, além de conter dicas como, o posicionamento do bebe para facilitar a pega certa e diminuir as chances de dores as mães, com o intuito de democratizar a informação para que as dicas ampare as lactantes, além de promover a normalização do ato de amamentar na rua para que deixe de ser motivo de preconceito ou assédio. Dessa forma, com amparo as mães e mudança de pensamento social, aleitamento materno aumentará, melhorando a nutrição infantil e fortalecendo o laço maternal.