Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 05/01/2021

Sempre ácido e crítico, Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, satirizava como hipocrisias e os maus hábitos da sociedade brasileira do século XIX. Ainda que dois séculos têm se passado, desde a época em que viveu no escritor realista, pouco mudou quando se observa o aleitamento materno em questão no Brasil. Diante disso, cabe analisar tanto a carência de informação sobre o tema quanto as dificuldades enfrentadas pelas mães como fatores desse cenário, a fim de revertê-lo.       Nessa perspectiva, convém pontuar a falta de esclarecimento sobre a importância do aleitamento exclusivo para as necessidades do bebê. Nesse contexto, na Antiga, os sofistas, Grécia mestres da retórica e da oratória, ensinavam a manipular debates através da relativização da verdade. Desse modo, encontrados inverdades podem confundir como lactantes, porém, é fato que o leite materno é o alimento mais completo para o recém-nascido.

Outrossim, vale destacar as adversidades impostas às mães, como é o caso do receio em amamentar em público. À luz dessa ideia, o físico Albert Einstein afirmou que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Não há como negar, portanto, que a intolerância da sociedade ao aleitamento exposto, visto como imoral, torna mais complexa a solução do constrangimento da genitora.

Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar essa problemática. Logo, a mídia, grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião, deve elaborar campanhas sobre o valor do alactamento. Tal ação pode ser realizada por meio da mídia digital e televisiva, a partir de ficções engajadas, como cartilhas informativas, com a modalizar de naturalizar e incentivar a amamentação exclusiva no país. Com tais medidas, espera-se que o pensamento machadiano seja alterado.