Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 05/07/2021
Em seu poema, “Das Utopias”, de Mario Quintana, célebre poeta brasileiro, é dito “Se as coisas são inatingíveis… ora!/Não é motivo para não querê-las…/Que tristes os caminhos, se não fora/A presença distante das estrelas!”. Nessa perspectiva, as utopias apontam para caminhos intangíveis, mas olhar para elas e deseja-las, muda e transforma o sentido da caminhada. Desse modo, é possível estabelecer um paralelo entre o trecho e o aleitamento materno, uma vez que apresentam barreiras para que a cidadania não seja gozada por todos de maneira plena. Esse cenário é tanto fruto da carência informacional nesse âmbito, quanto da discriminação configurada a partir da descontrução coletiva.
É importante ressaltar, em primeiro plano, de que forma a incomplacência permite a intransigência à difenrentes opiniões acerca das deliberações em torno da amamentação ao ar live. Isso ocorre, em grande parte, devido ao baixo senso crítico da população, fruto de uma educação tecnicista, na qual não há estímulo ao questionamento. Sob esse âmbito, a alusão ao patriarcado usufrui dessa vulnerabilidade, conquanto sendo tão anêmicas que propostas para aprofundá-las de forma racional, tendem a serem vistas como utopísticas, limitando, assim, o modo de pensar dos cidadãos. Em meio a isso, uma analogia com a educação libertadora proposta por Paulo Freire mostra-se possível, uma vez que o pedagogo defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, dessa forma, libertar o indivíduo da situação a qual encontra-se sujeitado - neste caso, a segregação.
Além disso, uma comunidade que restringe a lactação maternal, por meio do constrangimento, representa um retrocesso para a coletividade que preza por igualdade. Nesse sentido, na teoria da percepção do estado da sociedade, de Émile Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com o seu desenvolvimento, visto que um sistema desigual não favorece o progresso coletivo. Dessa forma, o aleitamento sendo um estorvo mediante público — que não leva em consideração a importância nutricional para o bebê e a livre liberdade individual —, a democratização torna-se inviável.
Depreende-se, portanto, a relevância que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o MEC crie, por meio de verbas governamentais, a oferta de debates e seminários nas escolas, voltadas à inclusão de problematizações e a criação de reformulações conscientes, alusivo à lactantes – a fim de ampliar nos jovens o interesse por diferentes opiniões. Posto isso, será superado o encalhe oriundo ao alactamento em meio social e assim, observar-se-ia um Brasil não mais análogo à trama utópica.