Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 01/09/2021

O programa “What Would You Do?” apresentou o caso de duas mães, nos Estados Unidos, que foram discriminadas por amamentar seus filhos em um parque público. De maneira análoga, assim como elas, várias brasileiras passam pelo mesmo tipo de situação, a qual é proveniente de uma série de tabus enraizados em torno de algo natural. Nesse sentido, em razão da omissão estatal e de uma cultura sexista, emerge um grave problema: o aleitamento materno em risco no Brasil.

Diante desse cenário, vale destacar que a indiferença governamental é um grave fator para a não garantia do leite materno a muitos bebês. Nesse viés, consoante o princípio da responsabilidade social do filósofo Hans Jonas, ser ético é basear suas ações com foco no coletivo e nas futuras gerações. Sendo assim, ao se observar a atuação do Estado em torno da amamentação, percebe-se que ele não é ético, pois não garante políticas públicas eficientes à promoção desse alimento aos pequenos, assim como não evidencia às puérperas o quão fundamental é o ato de amamentar, uma vez que existe uma tóxica alienação acerca do assunto. Assim, enquanto a indiferença do Governo for a regra, casos de crianças que, de fato, mamaram até a idade necessária — cerca de 2 anos — serão a exceção.

Ademais, é importante salientar que uma visão preconceituosa por parte da própria sociedade nacional é outro forte motivo ao tema. Sob esse ângulo, conforme a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano. Nesse contexto, ao se analisar a cultura brasileira, nota-se que a objetificação e a sexualização do corpo feminino é algo super comum, mas que precisa ser revertido urgentemente, visto que o simples ato de uma mãe dar mama ao seu filho em um local público é tido como inapropriado e, até mesmo, vulgar. À vista disso, segundo uma pesquisa da empresa Lanshinoh, de diversas nacionalidades, as brasileiras são as que mais sofrem com a discriminação por amamentar sua cria em público. Logo, é nítido que a manutenção de um machismo estrutural afeta a qualidade de vida e de saúde de muitas famílias.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Saúde organize um mapeamento, que levará informação às grávidas e puérperas, por meio de profissionais da saúde, por exemplo, médicos, enfermeiros e nutricionistas, com o intuito de promover a ética governamental diante dos cuidados aos recém-nascidos. Por sua vez, o Ministério da Educação — regulador das práticas educacionais do país —, com a mídia, precisa desenvolver um projeto pedagógico, o qual deve mostrar à população os principais impasses do século XXI, como a sexualização do corpo feminino, por meio de lives nas redes sociais, a fim de tornar o corpo social mais empático e evoluido. Dessa forma, espera-se promover o aleitamento materno no Brasil.