Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 16/10/2022

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e de conflitos. Entretanto, o Brasil contemporâneo é o oposto do que o autor prega, haja vista os desafios para a concretização do aleitamento materno. Nesse sentido, pode-se dizer que a falta de informação, assim como o preconceito são os principais causadores dessa problemática.

Diante desse cenário, é lícito postular a desinformação como a causa primeira dos males tangentes ao aleitamento materno. Sob essa ótica, o pensador Arthur Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as mães não têm acesso à informação séria sobre os benefícios nutricionais e imunológicos da amamentação para um bebê e a importância da amamentação exclusiva até os seis meses de vida, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do problema.

Outrossim, o preconceito da sociedade contra a mulher que amamenta em público se enquadra como outro fator potencializador desse impasse. De acordo com uma pesquisa sobre aleitamento materno realizada pela marca Lansinoh, quase 50% das mulheres brasileiras sofrem preconceito ao amamentar em locais públicos. Tal preconceito pode ser evidenciado devido a herança histórico-cultural do Brasil Colonial, em que as escravas conhecidas como “amas de leite” eram responsáveis pela amamentação das crianças brancas. Dessa forma, torna-se inadmissível que no século XXI esse preconceito seja recorrente.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação, enquanto órgão responsável por instruir a população, realizar palestras nas cidades, para diferentes públicos, que alertem para a importância da amamentação, por meio da contratação de médicos capacitados em explicar sobre os benefícios da lactação na vida dos bebês recém-nascidos. Assim, espera-se, com tal ação, que mais crianças sejam amamentadas, e uma diminuição do preconceito contra as mães que precisam amamentar em público.