Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo

Enviada em 10/11/2021

Segundo o pensador brasileiro Betinho, o desenvolvimento humano só pode ser pleno enquanto houver nas sociedades igualdade, liberdade, participação, solidariedade e diversidade. No entanto, a sociedade brasileira contemporânea ainda apresenta imbróglios que impedem a integral efetivação da diversidade, uma vez que atos de preconceito contra minorias ainda estão presentes no cotidiano nacional. Dentre eles, a transfobia, violência física ou psicológica contra pessoas transgênero, deve ser colocada em pauta, de modo que alterações educacionais e de representatividade urgem para combater o problema.

Em uma primeira análise, o sistema de ensino atual carece de uma educação voltada para o entendimento da realidade social e para a luta contra preconceitos. Sob tal ótica, o sociólogo francês Edgar Morin considera as escolas contemporâneas como ambientes em que o conhecimento é transmitido de forma técnica, fragmentada e conteudista, sendo que a formação ética e cidadã é pouco contemplada pelo ensino. Dito isso, tal tese é facilmente aplicada à realidade brasileira, uma vez que a grade curricular educacional prioriza assuntos teóricos e específicos que pouco dialogam com a conjuntura humana da realidade da nação. Por conseguinte, os estudantes não são estimulados à formação de um senso capaz de avaliar criticamente a estrutura social em que estão inseridos e, logo, ficam sujeitos a naturalizar ou a praticar ações preconceituosas, como a transfobia. Portanto, é essencial que as escolas brasileiras priorizem o ensino da vida em sociedade e o respeito à diversidade para que ações transfóbicas sejam atenuadas no país.

Ademais, a representatividade é também um fator determinante para o empoderamento das pessoas transgênero e para a luta contra o preconceito. Acerca disso, a presença da população transexual em espaços como a mídia, a cultura e a política garantem maior visibilidade e relevância ao grupo e, consequentemente, permitem que a massa popular tenha mais acesso a informações livres de preconceitos e estereótipos acerca das pessoas trans. Desse modo, é importante que a população transgênero ocupe cargos de visibiliddade em espaços como as mídias televisivas, redes sociais, arte e política, como o ocorrido em 2020 nas eleições municipais de São Paulo, em que uma das vereadoras mais votadas da cidade foi Erika Hilton, uma mulher trans.

Destarte,para ir de encontro aos ideais propostos por Betinho,medidas devem ser tomadas.O MEC-pasta federal responsável por gerir assuntos educacionais- deve fomentar o debate acerca do respeito à diversidade nas escolas, por meio de palestras e minicursos ministradas por professores de sociologia acerca do tema, no intuito de fomentar o senso crítico social.Por fim, a Sociedade Civil,deve contribuir para a representatividade,por meio,por exemplo,do voto eleitoral em candidatos transsexuais.