Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo

Enviada em 11/11/2021

Na música “Geni e o Zepelin”, do artista Chico Buarque, é contado aos ouvintes sobre a vida e as dificuldades de Geni, uma mulher trans. Dentre tais dificuldades a que mais se sobressai é a violência física e moral causada pela sociedade contra a personagem. Apesar da música ter sido composta no final do século XX, ela pode ser usada para se entender a opressão sofrida pelas pessoas trans no Brasil contemporâneo. Por conseguinte, assim como na música de Chico, a transfobia no Brasil resulta de uma desumanização das pessoas trans. Portanto, para combater a transfobia no país é necessária uma cultura de normalização das diversidades de gêneros.

Em síntese, percebe-se que a transfobia é fruto de uma cultura cisnormativa e transfóbica que acaba por transformar o primeiro em um padrão a ser seguido e por desumanizar o segundo. De acordo com o acadêmico trans Jones Maria uma comunidade rechaça todos os indivíduos com a qual não se identifica, por isso o preconceito com pessoas trans etá diretamente ligado a cisnormatividade. Observa-se tal afirmação no fato de que de acordo com o grupo europeu Transgender Europe, em 2016 o Brasil foi considerado o país mais transfóbico no mundo, e ao mesmo tempo é o quinto país com a maior população católica do mundo, religião que difunde a cisnormatividade. Assim sendo, percebe-se como a transfobia está ligada diretamente a cultura majoritária de uma comunidade.

Assim como a transfobia é um fator excludente socialmente, tal preconceito também vai contra os principais direitos humanitários da população brasileira. Pois assim como diversos outros países, após a segunda guerra mundial, o Brasil assinou a Declaração Universal dos Direitos Humanos e poucas décadas depois implementou em sua Constituição Federal um dos artigos considerados mais importantes da declaração, o artigo da igualdade entre todos os individuos. Em conclusão, a existência da transfobia em território nacional está ligada a uma ineficiência estatal em garantir a sua população seus direitos básicos, logo, a responsabilidade de combate a transfobia recai sobre o Governo Federal.

Assim sendo, percebe-se que as alternativas existentes para combater a transfobia no Brasil se baseiam em ações de cunho cultural e social. Logo, o Ministério da Educação deve incentivar projetos educacionais que tratem sobre o tema nas diversas instituições educacionais do país. Tais projetos serão escolhidos por meio de editais federais e devem possuir caráter de uma educação verticalizada, ou seja, devem ser pensados em união entre escolas de ensino fundamental, médio e superior. Para desse modo garantir a normalização da diversidadede gêneros em um ambiente que a população obrigatoriaente frequenta, e a partir da educação verticalizada  tal mudança atingirá diversas camadas etárias, assim sendo mais efetiva a mudança cultural no país.