Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo
Enviada em 12/11/2021
Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “No meio do caminho”, retrata o percurso de uma pedra presente em sua trajetória. Embora o contexto do poema do contista não tenha sido escrito sob o viés social, percebe-se um alinhamento com a realidade brasileira, no que tange às alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo. No sentido de que é um notório problema social que persiste sem solução, em razão da falta de políticas públicas e do silenciamento social.
Primeiramente, nota-se que o despreparo governamental é causa manifesta da matéria. Sobre isso, Abraham Lincoln, célebre personalidade política americana, disse, em um de seus discursos que a política é serva do povo e não ao contrário. Em relação a tal afirmação, nota-se uma inconformidade sobre os caminhos para erradicar o preconceito contra pessoas transexuais na sociedade brasileira atual e a atuação do Estado brasileiro, no sentido de que, ao contrário do que Lincoln explanou, a política atual não serve ao povo com ações, planos e metas públicas que tratem dos impasses causados pela problemática. Com efeito, os suicídios e homicídios são as consequências inadmissíveis dessa lacuna e que são de resolução.
Da mesma forma, tem-se o silenciamento social como fator coadjuvante do revés. Em consonância a isso, a escritora brasileira Martha Medeiros, discorre, em uma de suas obras, sobre a falta do debate social, afirmando que o indivíduo silencia tudo aquilo que ele não quer que venha à tona. Desse modo, é notório a relação da afirmação da autora e a questão das possibilidades para impugnar a discriminação contra pessoas transgênero no Brasil hodierno, já que o Estado mantém essa questão silenciada, pois seu debate trará a exposição de muitos reveses e a fundamentação de incontáveis consequências, das quais, seus responsáveis, não demonstram capacidade para dirimir.
Portanto, algumas medidas são necessárias para solucionar a problemática. Sendo assim, a população, por meio de um projeto social online, deve criar uma campanha de incentivo, que trabalhe paralelamente com ações governamentais, como na questão das alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo. Tal campanha deve ter repercussão nacional e representantes de todos os estados brasileiros, para que possa cobrar do Estado brasileiro maiores ações, planos, metas, projetos e investimentos públicos voltados para a sociedade. Além disso, o Ministério da Educação, por intermédio de escolas e universidades, deve criar oficinas e palestras de debate, para que se possa minimizar o silenciamento social em torno do problema. Espera-se, dessa forma, que a população possa exercer seu protagonismo e trabalhar em parceria com o poder público. Somente assim, a questão deixará de ser uma pedra no meio do caminho da sociedade.