Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo

Enviada em 10/11/2021

Charles Bing, pai de um dos personagens principais da série Friends, por ser uma pessoa transsexual, vivencia vários episódios de não aceitação, inclusive do filho. Em paralelo ao mundo do cinema, a realidade não é muito diferente, principalmente no Brasil, no qual apresenta maior número de pessoas trans mortas em todo o mundo, a despeito dos movimentos de conscientização e combate à transfobia. Sobre os fatores relacionados a esse infortúnio, destacam-se as consequências do contexto histórico do cristianismo no ocidente e a falhas no sistema punitivo do país.

Sobre o assunto, cabe perceber o legado social e histórico da transfobia nos paises cristãos do ocidente. Nesse contexto, a luz da Bíblia, principal livro seguido pelos cristãos, no livro de Gêneses, Deus criou o homem e a mulher, e a despeito disso, os transgêneros, indivíduos que possuem um gênero que não corresponde ao seu sexo biológico, são vistos como pecaminosos. Sob essa ótica de defender os preceitos bíblicos, assim como na idade Media durante Santa inquisição da Igreja católica, no qual os pecadores eram lançados na fogueira, muitas pessoas acabam por se acharem no direito/dever de praticar preconceito, aversão ou descriminação com as pessoas transexuais. Desse modo, apesar das grandes transformações sociais ainda é imperioso que esse preconceito seja desmistificado e não perpasse mais gerações.

Além disso, cabe perceber falhas no sistema punitivo do Brasil. De acordo com a legislação vigente, atos preconceituosos contra homossexuais e transexuais são enquadrados no crime de racismo. Apesar dessa plausível criminalização da transfobia ainda são altos os índices de homicídio nos tempos contemporâneos, a saber, de acordo com um relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), houve um aumento de 39% de casos notificados de homicídios contra pessoas transgênero no Brasil no ano de 2020 em relação ao mesmo período do ano de 2019. Nessa perspectiva, concerne a ampliação da fiscalização e punição desse atos, uma vez que, o aumento da criminalidade pressupõe uma má gestão do sistema de justiça do país.

Tornam-se evidentes, portanto, os entraves referentes ao combater da transfobia no Brasil de hoje. Logo, cabe a mídia, quarto poder, o papel de desmistificar tal preconceito, na medida em que se dar maior visibilidade a esse grupo, seja por meio de propagandas, novelas, palestras ou relatos pessoais, a fim de combater a intolerância e a desinformação a cerca desses. Ademais, é imperioso que o Estado fortaleça seu sistema de justiça, por meio do aumento no recrutamento de policiais e no número de bancos de denúncia, no intuito de reduzir a lastimável taxa de homicídios de pessoas trans. Dessa forma, poder transformar a realidade e garantir uma plena cidadania desses cidadãos.