Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo
Enviada em 12/11/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, é preciso, portanto, valorizar também o estigma relacionado à transfobia na atual conjuntura brasileira, tendo em vista que grande parcela social não enxerga tal entrave com devida relevância. Assim, vale ressaltar que a escassez informacional sobre a comunidade LGBTQIA+ e o crescente numero de homicídio cometido contra pessoas transexuais são fatores que devem ser combatidos.
Diante desse cenário, é lícito postular a passividade governamental no combate ao revés supracitado. Para entender essa lógica, alude-se ao pensamento do contratualista John Locke, o qual, em seu contrato social, afirmou que o Estado deve garantir s direitos imprescindíveis os indivíduos. Ao observar, no entanto, que dentro das instituições de ensino não existem debates construtivos e informacionais acerca da camada social referente aos transgênero, nota-se um rompimento com o pacto estabelecido pelo filósofo, tendo em vista que é um assunto de indubitável importância. Desse modo, tanto as novas quanto a antiga geração se encontram à mercê da desinformação e desinteresse sobre o assunto.
Ademais, os diários assassinatos efetuados contra a comunidade trans tem relação direta com os obstáculos no enfrentamento à transfobia. Nesse sentido, de acordo com o político alemão Adenuaer, “todos vivem sob o mesmo céu, mas nem todos sob o mesmo horizonte”. Nessa conjuntura, o pensamento exposto se evidencia ao analisar o crescente número de, especialmente, mulheres trans. De acordo com o dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais, no ano de 2020, houve um aumento de 41% nos assassinatos da camada trans brasileira, sendo 175 mulheres. Dessa forma, fica nítido que essa parcela populacional luta diariamente pela própria vida, logo, faz-se necessária a construção de politicas públicas voltadas à segurança dessas pessoas.
Portanto, a transfobia representa uma ameaça concreta não apenas aos indivíduos diretamente envolvidos como a todos os cidadãos que, indiretamente, também figuram como vítimas de seu legado. Por conseguinte, o Estado em conjunto com o ministério da educação, deve, por meio de palestras socioeducativas e debates dentro das escolas e bairros municipais, sanar efetivamente problemas de desinformação que ocasionam aversão a população transexual brasileira e, consequentemente, garantir a segurança aos transgênero. Espera-se com isso que a população brasileira deixe no passado os estigmas transfóbicos e caminhe rumo ao progresso efetivo.