Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo
Enviada em 12/11/2021
Na série americana “Orange is The New Black”, reproduzida pela Netflix, é retratado o cotidiano de uma detenta transsexual na prisão feminina, a qual sofre diariamente com ataques verbais e físicos das demais prisioneiras e dos próprios carcereiros. Fora da ficção, nota-se que o cenário da série é refletido na realidade brasileira, uma vez que a transfobia agride a dignidade de transsexuais ao restringir suas respectivas liberdades cidadãs e direitos relacionados ao convívio em sociedade. Nesse âmbito, essa realidade se deve, essencialmente, devido à má formação escolar social e ao inerte papel das mídias.
Sob esse viés, é lícito postular o equivocado desenvolvimento de crianças e adolescentes nas escolas como perpetuador de atos transfóbicos no Brasil. Isso ocorre, porque ao haver privilégio aos conteúdos técnicos da matriz curricular, ignora-se espaços de debates às questões de cidadania, como a diversidade sexual do território brasileiro. Dessa forma, as discussões acerca do respeito às identidades sexuais e à própria identificação na comunidade LGBTQIA+ ficam em segundo plano, já que há a formação desde cedo de jovens desrespeitosos quanto às liberdades alheias, o que, infelizmente, promove a exclusão dos transsexuais das instituições sociais devido ao preconceito repassado. Nesse sentido, esse quadro corrobora o pensamento do educador Paulo Freire, o qual afirma que assuntos técnicos são ensinados em detrimento de conteúdos de caráter socioemocional nas escolas arcaicas.
Outrossim, cabe destacar as ações inertes da mídia enquanto colaboradoras para o desconhecimento social acerca da pessoa trans. Nessa conjuntura, o ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels afirmava que a principal função da mídia é servir para a manipulação de massas. Contemporaneamente, entretanto, o escasso empenho da mídia em mostrar de fato no que consiste o transsexual e suas particularidades motiva o julgamento coletivo e aumenta a intolerância social, visto que a falta de informação e o insuficiente lugar de visibilidade dado a esse grupo desestimula debates sobre o espaço em sociedade, o que, tristemente, impulsiona atos discriminatórios originados da ignorância de parcelas populacionais despreocupadas em aprender a história da comunidade trans.
Depreende-se, portanto, que o Ministério da Educação deve criar uma matéria voltada ao aprendizado das identidades sexuais na matriz curricular, por meio de materiais educativos que estimulem pensamentos de cidadania nos alunos, com professores de sociologia capacitados para orientar os estudantes, a fim de formar jovens com respeito às diversidades. Ademais, a mídia deve incentivar os debates na televisão, por intermédio de parcerias público-privadas com as emissoras, com a presença de transsexuais e historiadores que enfatizem a luta histórica desse grupo, com o fito de atenuar a transfobia enraizada no Brasil. Assim, o quadro descrito em “Orange is The New Black” será afastado.