Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo
Enviada em 12/11/2021
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e o desespero refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de induvíduos assolados pelo preconceito à pessoas transgênero é, amiudamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se cucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a desinformação do povo, que por sua vez, é ignorante perante o tema.
A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa a transfobia em nosso país. Esse contexto de inoperância das esferar de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, é notório um aumento no número de casos de agressão à comunidade transgênero, deixando muitos com graves sequelas físicas e mentais, além do expressivo número de assassinatos contra o grupo.
Outrossim, é igualmente preciso apontar o preconceito como outro fator que contribui para a manutenção da transfobia no Brasil. Posto isso, de acordo com pesquisas realizadas pela Assossiação Nacional de Travestis e Transexuais, o Brasil é o país com o maior número de pessoas trans mortas em todo o mundo, tendo mais de cento e vinte assassinatos notificados em dois mil e dezenove. Diante de tal exposto, a crescente onda de ataques à comunidade trans e a falta de incentivo por parte governamental e de empresas privadas, o público trans se coloca em risco afim de prover sustento para sua casa.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar o preconceito e os ataques à comunidade trans, que possui grande relevância em nossa sociedade. Dessa forma, a fim de garantir a segurança e os direitos do grupo, é preciso que o Ministério da Cidadania, por intermédio de assossiações focadas no público trans, tracem planos de ação para maior inclusão de transgêneros em empresas, como os programas de trainee voltados para a comunidade. Paralelamente, é imperativo que haja políticas públicas do Estado, visando a construção de leis que defendam e garantam que o público transgênero possa se manifestar livremente, não temendo repressão por parte da sociedade. Espera-se, assim, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.