Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo

Enviada em 12/11/2021

A artista Lili Elbe foi uma das primeiras pessoas a submeter-se a cirurgia de redesignação sexual e sua história é retratada no filme “A Garota Dinamarquesa”, no qual, entre preconceito e discriminação, é acolhida por sua esposa Gerda que, com compreensão e respeito, participou dessa transformação na vida da pintora. Nesse contexto, evidencia-se que, para combater a transfobia no Brasil contemporâneo, as alternativas são embasadas na mudança de mentalidade da sociedade.

Nessa perspectiva, cabe ressaltar, conforme o antropólogo Émile Durkheim, que o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a transfobia é influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante e opressor, a tendência é adotar esse comportamento também. Logo, uma possibilidade para combater esse cenário é o rompimento com padrões de condutas impostos coercitivamente, ou seja, educar a sociedade a atentar-se ao fato de que cada um tem suas próprias escolhas e que não existe um padrão em um mundo tão diverso e plural.

Outrossim, de acordo com o filósofo alemão Arthur Schopenhaur, o entendimento de um ser humano sobre um assunto depende do seu campo de visão acerca desse. Sendo assim, nota-se que, para combater a transfobia, é imprescindível que a sociedade supere a mentalidade coletiva fundamentada na heteronormatividade, que é a imposição social para ser ou se comportar de acordo com os papéis de cada gênero e, desse modo, esse raciocínio é discriminante, pois coloca pessoas como Lili Elbe em situações marginalizadas.

Combater a transfobia no Brasil necessita, portanto, de medidas vindas do poder público. Para isso, cabe ao Governo Federal alicerçado ao Ministério da Educação ampliar o entendimento da população e combater o preconceito, por meio de campanhas de conscientização, tal ação deve ocorrer no formato de propagandas a serem exibidas em horário nobre nos canais abertos de televisão e, por conseguinte, essas devem ser compostas por pessoas trans que compartilhem sua experiência de vida. Além disso, é importante, também, que contenha a explicação sobre o que é a heteronormatividade e o quão opressor esse modo de pensar pode ser para pessoas que não se identificam com o gênero que lhe foi imposto ao nascer. Espera-se, dessa forma, mitigar comportamentos transfóbicos, ao desenvolver, no corpo social, um modo de agir semelhante ao que Gerda fez: acolher com respeito a decisão do outro.