Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo

Enviada em 12/11/2021

A série “Manhãs de Setembro” retrata os desafios de Cassandra em lidar com o preconceito, após a sua transição de gênero, em seu trabalho como entregadora de delivery na cidade de São Paulo e por parte da própria mãe de seu filho. Tal exemplo é apenas uma representação da realidade da qual a maioria das pessoas transsexuais passam na sociedade, enfrentando humilhações e desaprovação em quase todos os aspectos de suas vivências. Desse modo, o combate à transfobia é fundamental para garantir a dignidade e o tratamento com igualdade que qualquer cidadão merece ter.

Em primeiro plano, tal comportamento discriminatório ocorre devido a uma negação coletiva de aceitação das diferenças. Nesse âmbito, o sociólogo francês Émile Durkheim tinha como principal teoria o “fato social”, conceito que se refere a normas culturais pré-estabelecidas que exercem um controle social, fenômeno promovido pela própria sociedade e que cria uma rejeição ao que destoa do padrão como uma tentativa de uniformizar a conduta individual para a harmonização de um todo. Com isso, a atitude de repreender a existência de um certo grupo como o dos transsexuais é algo previsto, embora, se houver, maior compreensão sobre essa questão de gênero, a população poderá absorver essa característica gradativamente até o momento em que isso se torne plenamente aceitável.

Concomitantemente, a ausência desse debate sobre a importância desse respeito na maioria das esferas do corpo social faz com que não se tenha entedimento sobre o assunto, o que estimula a propagação de ideias e ações preconceituosas contra a transsexualidade que, por vezes, podem ser muito violentas. Nesse sentido, a travesti Dandara foi apredejada, espancada e baleada até a morte em via pública em Fortaleza, onde parte do atentado foi filmado e publicado na internet. Logo, pessoas trans são figuras vistas, muitas vezes, como menos humanas, não dignas de qualquer respeito.

Portanto, medidas para atenuar os ataques aos transexuais devem ser implementas. Para tanto, cabe ao Ministério Público criar uma campanha publicitária com depoimentos de vítimas dessa violência sobre o sofrimento que as mesmas passam diariamente, sem identificá-las inicialmente como trans, revelando ao final para sensibilizar a população que poderá repensar suas opniões e atitudes contra esse grupo. Por fim, discussões sobre esse tema e o ensino das teorias de Durkheim devem ser realizadas a partir dos professores de Sociologia e Filosofia do ensino básico brasileiro, os quais deverão conversar com os alunos acerca dos danos dessa prática discriminatória no país, trazendo uma reflexão que auxilie as novas gerações a praticarem a alteridade e a serem mais conscientes em relação a esse assunto.