Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo

Enviada em 12/11/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a problemática da transfobia no Brasil, ainda que ela seja estigmatizada por parte da sociedade. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a lacuna educacional e a alienação social.

Entende-se, diante desse cenário, que a lacuna educacional prejudica o combate à transfobia no país. A título de exemplo, o renomado educador brasileiro Paulo Freire defende que o sistema de ensino da nação é majoritariamente bancário, isto é, pouco encoraja o pensamento indagador. Sob essa lógica, consideráveis instituições de ensino, ao passo que priorizam a pedagogia tecnicista - caracterizada pela passividade dos discentes-, não buscam elucidar a criticidade dos estudantes quanto à discriminação sexual, o que, com efeito, colabora para que muitos indivíduos continuem corroborando tal prática. Logo, enquanto as autoridades escolares se mantiverem negligentes, o revés persistirá.

Além disso, uma grande parcela da população se mostra alienada em relação à violência sofrida pelas pessoas transsexuais. O intitulado “Paradoxo da Moral” é um livro escrito pelo musicólogo Vladimir Jankélévitch, para exemplificar a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade das pessoas frente aos impasses enfrentados pelo próximo. De maneira análoga, percebe-se que a discriminação sexual encontra um forte alicerce na estagnação social. Essa situação ocorre porque, infelizmente, a sociedade não se movimenta em prol da erradicação da problemática, pelo contrário, ela adquire uma posição individualista, por não mensurar as consequências que o preconceito traz consigo, como o aumento dos homicídios de pessoas transsexuais e traumas psicológicos nas vítimas. Assim, faz-se mister a reformulação dessa postura social de forma urgente.

Compreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal, com o apoio do Ministério da Educação e dos Direitos Humanos, por meio de verbas governamentais destinadas à pasta, deve incluir na Base Nacional Comum Curricular, atividades sobre o combate à transfobia nas escolas, bem como forncecer palestras com pessoas transgêneros e profissionais dos Direitos Humanos, a fim de preencher a lacuna educacional brasileira. É necessário, também, exibir propagandas educativas de conscientização sobre a temática nos meios midiáticos. Essas ações serão realizadas com o intuito de promover a erradicação da tansfobia na nação verde-amarela, para que a sociedade não naturalize a alienação que a permeia. Dessa maneira, o Brasil deixará de praticar a “teologia do traste”, como proferiu Manoel de Barros.