Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo
Enviada em 12/11/2021
O romance “Utopia” - criado pelo escritor Thomas More - retrata uma civilização idealizada, na qual a engrenagem social é altamente desprovida de problemas e conflitos. Tal obra mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante à transfobia e suas formas de enfrentamento, problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão do preconceito, mas também pela falta de apoio público e social. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.
Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar que a carência de investimentos em modelos representativos para pessoas transexuais deriva da ineficiência do poder público, no que concerne à criação de mecanismos os quais cobriam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado por um pacto social, para assegurar os direitos fundamentais e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido à baixa atuação das autoridades a população fica majoritariamente representada pelo estereótipo heteronormativo, outrossim, segundo dados do IBGE, a expectativa de vida de uma pessoa transexual é de 35 anos, devido ao forte preconceito físico e social sofrido por estes. Destarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na sua resolução.
Além disso, o excesso de preconceito enraizado sobre as pessoas trans apresenta-se como outro desafio da problemática. De acordo com a série Sex Education, tal conceito abordado é materializado no Brasil, haja visto que, retrata vários adolescentes de um colégio descobrindo a sua sexualidade, dentre estes, expõe-se as dificuldades de adaptação de uma pessoa trans neste ambiente repressor, o que consequentemente resultou em sua suspensão, pois a diretora não aprovava o jeito de se vestir do jovem. Logo, tudo isso retarda as alternativas para combater a transfobia no Brasil, já que a falta de apoio público e social contribui para a perpetuação desse quadro deletório.
Assim sendo, torna-se indubitável o apoio de medidas públicas e coletivas para encontrar meios de enfrentamento contra a transfobia no território nacional. Posto isso, cabe o investimento do Ministério da Educação em palestras escolares que exponham o sofrimento de pessoas transexuais, com o intuito de sensibilizar possíveis preconceituosos e evitar o surgimento destes, além de trazer uma nova perspectiva para os futuros defensores dessa causa. É válido ressaltar o empenho do Ministério da Cidadania associado a influencers trans na divulgação de seus conteúdos, a fim de aumentar a representação dessas pessoas no país e assim reprimindo grupos de caráter transfóbico.