Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo
Enviada em 18/11/2021
A série de televisão americana “Sex Education” narra diferentes histórias sobre as dificuldades enfrentadas pela comunidade LGBTQIA+, como os estereótipos ou a escassa discussão sobre identidade. De maneira semelhante, a realidade das pessoas transexuais no Brasil é, frequentemente, acometida por esses impasses, é o caso da transfobia, ou seja, um preconceito contra pessoas que não possuem o gênero condizente com o sexo que nasceram. Tal situação discriminatória ocorre devido ao fato de que há um predomínio da mentalidade conservadora e traz como consequência a desmoralização de indivíduos transgêneros.
Sob esse viés, vale destacar que a prevalência de uma pensamento tradicionalista na sociedade brasileira é uma das causas para a transfobia ainda se apresentar como uma constante no país. Dessa forma, o apreço demasiado por valores rigorosos desencadeia um sentimento de desprezo por aqueles que não possuem convergência entre gênero e sexo. Em consonância, o filósofo francês Michel Foucault afirmou, em um de seus estudos, que os seres humanos não são autodeterminantes, uma vez que fazem parte de uma estrutura social que os definem. Semelhantemente, as populações reproduzem os discursos, pensamentos e comportamentos transfóbicos, majoritariamente conservadores, das estruturas em que estão inseridas, sejam elas políticas ou familiares.
Além disso, a principal consequência dessa hostilidade é a desmoralização de pessoas trans, isto é, este grupo social passa a ser marginalizado e descreditado pelos demais membros da sociedade. Nessa perspectiva, a corrente filosófica do Existencialismo defende a ideia de que a existência precede a essência, assim, primeiro os homens existem para depois construírem a si mesmos. De mesmo modo, as pessoas transexuais passam por um processo de formação de sua identidade de gênero, dificultado por pessoas que pouco compreendem essa construção da essência e apenas agregam concepções desvalorosas.
Portanto, o conservadorismo excessivo da população é a principal causa da transfobia no Brasil e o desprestígio de pessoas transgênero a principal consequência. Logo, faz-se necessário que o Ministério da Educação, em parceria com as mídias, promova campanhas de valorização de pessoas que não se identificam com o sexo em que nasceram, além de projetos nas escolas que ampliem a compreensão e aceitação sobre o assunto, por meio das redes sociais , de cartazes em locais com maiores índices de transfobia e palestras nos ambientes acadêmicos, para que esse tipo de intolerância deixe de ser uma constante no país. Só assim será possível se aproximar de uma sociedade mais empática no que diz respeito às discussões de gênero.