Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo

Enviada em 13/11/2021

Na série televisiva “Euphoria”, a melhor amiga de Rue foi internada num hospital psiquiátrico quando criança pela família ao se identificar como transgênero. Não tão distante da ficção, a transfobia é uma realidade no Brasil, visto que, assim como é retratado no seriado, os indivíduos que não se identificam com o sexo biológico de origem sofrem preconceito. Esse panorama está ligado, não somente pela ínfima visibilidade na mídia, mas também pela discriminação do mercado de trabalho.

Sob esse viés, a escassez da propagação da causa trans nos canais de comunicação brasileiro aprofunda o preconceito contra esse grupo. De acordo com o site de notícias G1, a influencer transexual Thammy Miranda foi alvo de ataques verbais ao ser contratada como garota propaganda da natura para os dias dos pais. Esse acontecimento ocorre pela falta de campanhas de conscientização, informações e depoimentos sobre os transgêneros, suas lutas diárias e a necessidade do respeito. Por conseguinte, a discriminação e a violência física e psicológica são propagados contra essa comunidade, como aconteceu com Miranda. Dessa maneira, é notório que a carência de conteúdos educativos na mídia prejudica essa parte da população.

Ademais, o preconceito persistente no mercado de trabalho para a contratação de pessoas, que não se identificam com o sexo biológico, dificulta o combate à transfobia no Brasil. Nesse sentido, na obra cinematográfica “La casa de papel”, Manila começa a cometer crimes, uma vez que não conseguia emprego por ser transexual. Fora do cinema, é evidente que a carência de programas para a inclusão e a obrigatoriedade de contratação de transgêneros no ramo laboral contribuem com a marginalização e a colocação desse grupo em situações subalternas. Em consequência disso, a criminalidade passa a ser atrativo para muitos indivíduos trans, que não conseguem meios para a sobrevivência, como um trabalho. Desse modo, é imprescindível acabar com o problema supracitado.

Portanto, é nítido que a desvalorização dos transgêneros e o preconceito no mercado laboral impossibilitam a atenuação da transfobia no Brasil. Dessa forma, cabe aos canais de comunicação brasileiros, por intermédio de propagandas, disponibilizarem anúncios na televisão e na internet que informem sobre os transexuais, as formas de preconceitos que devem ser evitadas, a necessidade do respeito e histórias e depoimentos da comunidade trans, com o objetivo de mitigar a discriminação contra esse grupo. Além disso, o Poder Legislativo, por meio das leis, deve criar cotas, que disponibilizam certa porcentagem de vagas para indivíduos trans nas empresas de modo obrigatório, com companhias sujeitas a multas se não contratarem transgêneros. Feito isso, é possível evitar que mais pessoas sofram, como a amiga de Rue.