Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo
Enviada em 15/11/2021
Na Idade Média, a Peste Negra foi usada pela Igreja para perseguir os grupos considerados pecadores pregando que o pecado humano era a causa da doença, levando a prisão ao confisco de bens e a morte de homossexuais acusados de sodomia. Na contemporaneidade, a homossexualidade não é mais um problema, contudo, o preconceito e a falta de conhecimento sobre sexualidade por parte do corpo social dificultam o combate a transfobia no Brasil.
Decerto, o maior entrave é o preconceito, o que estimula o desrespeito e agressões morais, físicas e psicológicas. De fato, tal atitude se relaciona ao contexto social defendido pelo sociólogo Émile Durkheim, de que a sociedade determina as ações do indivíduo. Um exemplo disso é o estereótipo de transsexuais apresentado em filmes, séries e novelas como pessoas promíscuas e imorais e o aumento da discriminação, que segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PenSe), de 2019, 73% dos escolares trans do ensino médio já sofreram agressões físicas ou verbais devido a orientação sexual.
Ademais, a falta de conhecimento sobre sexualidade dificulta a conscientização. Conforme José Saramago, a sociedade vive um fenômeno de cegueira moral, que consiste em se preocupar apenas com interesses próprios, sendo indiferente diante de um problema social. Consoante com o pensamento do escritor português, enquanto o Ministério da Educação não informar sobre os transtornos causados pelas agressões físicas e psicológicas para toda população, os transsexuais continuaram sendo agredidos e desenvolvendo problemas psicológicos e vivendo afastado do convívio social, provocando a evasão escolar e dificultando o ingresso no mercado de trabalho.
Destarte, para acabar com a transfobia no Brasil, é necessário que os Ministérios da Saúde e Educação promovam nas escolas palestras ministradas por psicólogos voltada para pais e alunos, no horário noturno livre para a maioria, que apresente por meio de relatos reais os prejuízos causados pelo preconceito na vida das vítimas e desfaça os estereótipos apresentados pela mídia, promovendo o desencorajamento das agressões e a orientação pela busca de ajuda especializada. Em adição, o Estado deve criar leis que proíbam a ridicularização dos indivíduos trans pela mídia.