Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo

Enviada em 15/11/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o alto índice de transfobia no Brasil apresenta barreiras, de modo que dificulta a concretização dos planos de More. Esse cenáro antagônico é fruto tanto da discriminação quanto da negligência governamental. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral ressaltar o preconceito mediante o impasse. Segundo o sociólogo alemão Georg Simmel, a “atitude blasé” ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença mediante às situações que ele deveria dar atenção. Sob o mesmo ponto de vista, percebe-se que o corpo social trata a transfobia com descaso, como se não fosse nada demais. Além disso, criam posturas sociais que destratam cada vez mais pessoas trans, como o “radfem”, que entende como mulheres apenas aquelas que nasceram mulheres, sem nem perceber o impacto negativo que essa organização e pensamento causam na vida de pessoas transexuais. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o fato supracitado contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Ademais, é importante pontuar que o preconceito sofrido por pessoas trans deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que solucionem tais recorrências. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, nenhum ser humano deve ser submetido a tratamento degradante. Entretanto, observa-se que essa não é a realidade, já que, segundo o site de notícias G1, a expectativa de vida de transexuais é de apenas 34 anos. Isso ocorre por conta do desprezo e rejeição por parte da sociedade, que infelizmente, acaba agredindo e matando pessoas trans. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura governamental de forma urgente.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática no país. Dessarte, com o intuito de mitigar a transfobia, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio da ONU, será revertido em verbas, por meio da criação de campanhas informativas sobre como é a vida de pessoas trans e os problemas enfrentados por elas diariamente, e também por meio da criação de canais de denúncia eficazes, a fim de tornar a sociedade mais empática e menos preconceituosa, e amenizar as agressões por meio de denúncias. Dessa forma, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da transfobia, e a coletividade alcançará a Utopia de More.