Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo
Enviada em 17/11/2021
“Matrix” é um filme distópico de ficção que retrata uma realidade na qual o protagonista começa a obra alienado, incapaz de se enxergar no contexto social em que lhe foi apresentado, até que outro personagem o apresenta uma visão de mundo alternativa, “despertando-o”. Admito pelos diretores como uma alusão à questão sexual, o filme representa o processo de descobrimento de disforia de gênero, comum entre todas as pessoas trans. No Brasil, este processo, devido à exclusão política contra pessoas trans e a pressão contra feita por grupos radicais, é suprimido dentro de transexuais, levando a depressão e doenças mais sérias depreendidas desta. A fim de se entender como combater a transfobia no Brasil, torna-se necessário uma análise profunda no que tange a estes obstáculos.
A priori, sabe-se que a ausência da participação política é também uma ausência de inclusão social. O filósofo frankfurtiano Habermas defende a tese de que os debates sociais terminam no meio político, e vice versa. Sendo assim, com um histórico de democracia restritiva, governos autoritários e ausência de direitos civis voltados às minorias, a população trans ficou marginalizada e sem voz ativa e, por conseguinte, mal vista nos meios sociais, tendo em vista os entrelaces existentes entre a esfera política e o social, o que resulta em ataques contra essas minorias, sejam eles físicos ou psicológicos. Ademais, é necessário destacar como a voz ativa de grupos extremistas representam uma ameaça para os trangeneros no Brasil. Segundo o economista e filósofo Taleb, as mudanças na sociedade são dadas por uma maioria da população que é influenciada por uma minoria radical. De tal forma, pequenos grupos radicais presentes na história brasileira, tal como os Integralistas, minorias religiosas extremistas e manifestações neonazistas tem lutado ativamente contra o direito e até existência de pessoas trans, agravando a transfobia no Brasil e o tornando o país mais perigoso para transexuais do mundo, segundo o jornal Exame, em 2020.
Portanto, são necessárias medidas sociopolíticas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, cabe ao Supremo Tribunal de Justiça realizar campanhas, por meio de posts nas redes sociais e de palestras em escolas, de conscientização quanto a importância da participação de minorias no debate público e de incentivo à candidatura e participação política de pessoas trans nos mais diversos cargos políticos pelo país. Ademais, cabe à Polícia Federal conduzir operações a fim de localizar e multar os grupos que causam danos psicológicos ou físicos às pessoas trans, tendo em vista que tal atitude fere os direitos constitucionais. De tal forma, o destino de pessoas como o do protagonista de “Matrix” poderão ser realizados, com o medo da disforia deixando de ser tabu e por conseguinte, menos casos de transfobia no Brasil.