Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo
Enviada em 17/11/2021
Em “Carandiru: O Filme” é retratado detalhadamente o massacre do presídio de Carandiru, que ocorreu em São Paulo no mês de outubro de 1992; na longa-metragem, são contadas paralelamente, as histórias e a vida dos presidiários que se tornaram vítimas deste terrível ataque. Uma das histórias contadas é a da personagem “Lady Di” uma transexual vivida por Rodrigo Santoro, que representa os desafios de mulheres transexuais nos presídios brasileiros. No contexto nacional atual, indivíduos transexuais ainda sofrem muito preconceito e são constantemente esteriopados por serem quem são. Isso ocorre, pois falta uma conscientização geral sobre o assunto e, também, existe uma carência de suporte para a população travesti e transexual no Brasil.
Nessa perspectiva, acerca da lógica referente as alternativas para combater a transfobia no Brasil, é válido retomar o aspecto supracitado quanto à omissão estatal neste caso. Segundo o ANTRA (Associação Nacionais de Travestis e Transexuais), o Brasil apresenta pelo menos 130 casos de homicídio contra pessoas transgênero por ano e, mesmo diante desse cenário alarmante, a assistência médica, quando oferecida, não é, na maioria das vezes, eficaz. Isso acontece pela falta de investimento em locais especializados para transexuais. Consequentemente, muitas pessoas transexuais sofrem para obter hormônios e remédios específicos, sobretudo aquelas retidas nos presídios, não são devidamente auxiliadas, contribuindo para sua progressiva marginalização perante o corpo social.
Paralelamente ao descaso das esferas governamentais nessa questão, é fundamental o debate acerca da escassez de recursos oferecidos pelo Estado, uma vez que o próprio dificulta a vida de uma pessoa transexual – sendo que é um dever do governo garantir e lutar pelos direitos dessa comunidade. Este quadro de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, de Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, mas que não cumprem seu papel com eficácia. Desse modo, é imprescindível que, para refutação da teoria do sociólogo polonês, que essa problemática seja revertida.
Urge, portanto, que o Estado coopere para mitigar as dificuldades que a comunidade travesti e transexual passa no Brasil. Cabe aos cidadãos repudiar a prática da transfobia, por meio de seminários de conscientização capazes de educar sobre esta comunidade e desconstruir a prevalência desta prática. Ao Ministério Público, por sua vez, compete promover estes seminários pertinentes contra atitudes transfóbicas. Assim, observada a ação conjunta entre população e poder público, alçará uma sociedade com menos preconceitos e crimes contra a comunidade travesti e transexual.