Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo

Enviada em 19/11/2021

Durante a Idade Média, a repressão clerical perseguiu toda e qualquer manifestação social que contrariasse os preceitos sagrados. Consoante a isso, infelizmente, na atualidade, alguns desafios atormentam o convívio civil, haja vista que pensamentos ultrapassados como a transfobia, ainda configuram barreiras na aceitação da diversidade humana. Destarte, urge, portanto, averiguar o impacto de preconceitos sociais contra grupos vulneráveis, e também a negligência estatal frente ao tema, pois, é inadmissível que tal contexto persista.

Sob essa perspectiva, cabe ressaltar a influência da responsabilidade social com relação à negativa padronização dos indivíduos perante o aumento de discriminações na contemporaneidade. Conforme a teoria da Raciologia, todo indivíduo que não correspondesse ao ideal europeu, caracterizado como civilizado, seria considerado inferior e consequentemente, marginalizado. Nesse sentido, depreende-se que a transfobia, atualmente, assemelha-se em partes a esse cenário, visto que, a construção de um estereótipo culturalmente aceito (heterossexualidade), favorece a repulsa social defronte à diversidade. Assim, percebe-se que o comportamento da sociedade está intrínseco à propagação da intolerância de gênero, tendo em vista que a manutenção de pensamentos arcaicos (preconceito, violência simbólica etc.), faz com que a discriminação interpessoal seja um problema recorrente.

Outrossim, é crucial salientar a culpa do Estado na perpetuação de entraves envolvendo a falta de recursos no combate à transfobia. Dessa maneira, congruente a Émile Durkheim, “Os laços sociais são as normas que todos aprendem a respeitar e que sem eles tudo seria um caos”. Com isso, nota-se a essencialidade de uma regulamentação social para o controle e bem-estar da comunidade. Entretanto, a displicência do governo corrobora para a desordem, devido, principalmente, à carência de um respaldo estrutural com o intuito de extirpar a injúria de gênero por meio da conscientização. Logo, a escassez de políticas públicas que viabilizem mitigar o problema da homofobia, como a proliferação de projetos socioeducativos com enfoque no combate ao preconceito interpessoal, dificulta substancialmente a construção de um país mais prudente.

Em síntese, convém elaborar medidas que objetivem intervir sobre os impasses apresentados. Por conseguinte, compete ao governo federal investir em campanhas explicativas que suscitem a conscientização dos cidadãos, em prol de incentivar o fortalecimento de uma nação mais respeitosa. Isso pode ser feito por meio da criação de debates públicos, nas escolas, televisão etc. sobre o tema da importância de se combater a transfobia por via da empatia. Sendo assim, tal ação possui a finalidade de abranger, na população, mais conhecimentos sobre o público LGBTQIA+, e aprender a respeitá-los.