Alternativas para combater a transfobia no Brasil contemporâneo

Enviada em 18/11/2021

Segundo o poeta alemão Heinrich Heine, “Todo delito que não se converte em escândalo não existe para a sociedade”. Ao considerar essa sentença literária como ponto de partida, para lançar argumentos sobre o combate a transfobia no Brasil, vê-se o estado de apatia do corpo social brasileiro frente a uma questão tão séria. Nesse sentido, cabe não só analisar os motivos que levam o Brasil a ser o país que mais mata trans no mundo, mas também analisar de que forma a mídia pode colaborar para a superação desse problema.

Em face dessa ideia inicial, é importante pontuar que com a colonização portuguesa, o Brasil teve uma forte influência do catolicismo na formação cultural e social da população, o que trouxe a coletividade um viés conservador, abominando e repreendendo qualquer comportamento que viesse contra as leis pregadas na igreja. Nessa perspectiva, ao ser tratada com displicência pela sociedade, ecoa no pensamento de Heinrich, pois, em ambientes religiosos é comum que haja um preconceito velado quando se trata de indivíduos que não possuem a orientação heterossexual, o que acaba levando a sociedade a discriminar o grupo LGBTQIA+.

Além disso, vale ressaltar que de acordo com a revista Híbrida, o Brasil é o maior consumidor de pornografia transsexual do mundo, simultâneo o país segue com o maior índice de homicídios ocasionados pela intolerância sexual, entretanto, esses dados não são divulgados pelas grandes mídias. Nesse contexto, ganha voz o filósofo grego Aristóteles em sua obra ‘‘Política’’. De acordo com o pensador, é dever do estado garantir a ordem e o bem-estar da pólis. À luz dessa ideia, torna-se notório o descumprimento da premissa aristotélica, pois a justiça brasileira não se engaja para promover a visibilidade trans, deixando o grupo isolado para tomar decisões democráticas.

Diante disso, são necessárias ações para auxiliar o combate a transfobia no Brasil. Inicialmente, é dever do Ministério da Cidadania junto ao Ministério da Educação promover palestras de acolhimento ao grupo LGBTQIA+, e criar propagandas que promovam tolerância e respeito às diferenças por meio das mídias - televisão e redes sociais -. Implementadas essas ações espera-se que a transfobia no Brasil seja um problema superado, não tornando um escândalo para a sociedade.